TemasEstes textos são uma tradução e adaptação da informação disponibilizada pelo NIH na área da Gastrentrologia.


A doença celíaca é uma doença do sistema imunitário (doença autoimune) que impossibilita a ingestão de glúten, porque este ataca o intestino delgado. O glúten é uma proteína que se encontra no trigo, no centeio e na cevada, podendo igualmente ser utilizado em produtos como suplementos vitamínicos e nutricionais, batons e alguns medicamentos. A doença celíaca é também conhecida como intolerância ao glúten.
O sistema imunitário, o nosso sistema de defesa natural, mantém a saúde do organismo, lutando contra os agentes que podem provocar doenças, como as bactérias e os vírus. Quando as pessoas que sofrem de doença celíaca ingerem glúten, o seu sistema imunitário reage a esta proteína como se fosse um desses agentes, atacando o revestimento do intestino delgado. Esta reação provoca alterações nas pequenas saliências digitiformes chamadas vilosidades que cobrem a parede do intestino, não permitindo assim que o organismo obtenha os nutrientes de que necessita.
A doença celíaca é hereditária, isto é, transmite-se de pais para filhos, podendo atingir tanto adultos como crianças. Em grande parte dos casos, a doença não chega a ser diagnosticada.
  • A Doença Celíaca é grave?

    Sim, pode ser muito grave, já que provoca muitas vezes problemas digestivos de longa duração e impede o organismo de obter todos os nutrientes de que necessita. Com o tempo, pode provocar anemia, infertilidade, ossos fracos e quebradiços, irritações de pele e outros problemas de saúde.

  • Quais são os Sintomas da Doença Celíaca?

    Os sintomas da doença celíaca incluem:

    • dor de estômago
    • gases
    • diarreia
    • cansaço extremo
    • variações de humor
    • perda de peso
    • erupção cutânea muito pruriginosa, com formação de bolhas
    • abrandamento no crescimento

     
    Em alguns casos, a doença celíaca não apresenta sintomas. Noutros casos, as pessoas sentem-se doentes, mas a causa não é identificada. Na maioria dos casos, a doença apresenta um ou mais sintomas, mas nem sempre sob a forma de problemas digestivos. No entanto, a presença de um ou mais destes sintomas pode não ser indicadora da doença, já que outras perturbações os podem provocar.

  • Como é diagnosticada a Doença Celíaca?

    A doença celíaca pode ser difícil de diagnosticar, porque alguns dos seus sintomas são semelhantes aos de outras doenças. Os doentes podem assim permanecer sem diagnóstico nem tratamento durante muitos anos. Se o seu médico suspeitar que pode sofrer desta doença, solicitará uma análise ao sangue. Antes da análise, terá de seguir uma dieta normal, caso contrário, os resultados poderão ser falseados.
    Se o resultado da análise indicar a possibilidade de sofrer de doença celíaca, o seu médico, para confirmar o diagnóstico, realizará uma biopsia, um procedimento que consiste em extrair um pequeno pedaço de tecido do intestino delgado. A biopsia pode ser efetuada no hospital ou num consultório.
     
    O médico fornecer-lhe-á instruções sobre os preparativos para a biópsia. Geralmente, não é permitido comer nem beber 8 horas antes de efetuar o procedimento. Tabaco e pastilhas elásticas são igualmente proibidos durante este período. Informe o seu médico sobre quaisquer problemas de saúde que possa ter, especialmente problemas cardíacos e pulmonares, diabetes ou alergias. Informe-o ainda sobre todos os medicamentos que está a tomar. Pode ser necessário interromper a medicação durante um curto período antes e depois do exame.
     
    Para efetuar a biópsia, o médico insere um tubo longo e estreito pela boca e através do estômago até ao intestino delgado. Na extremidade do tubo encontram-se pequenos instrumentos que o médico utiliza para cortar um pouco de tecido, que será então analisado ao microscópio para detetar sinais de eventuais danos provocados pela doença celíaca. A biopsia é feita recorrendo a um anestésico que provoca sonolência e impede a sensação de dor. Muitas pessoas adormecem durante o exame.

  • Qual o Tratamento da Doença Celíaca?

    O único tratamento para a doença celíaca é uma dieta sem glúten. Se evitar o glúten, o intestino delgado conseguirá regenerar-se. Se ingerir glúten ou produtos que o contenham, a doença continuará a danificar o seu intestino.
    Exames regulares permitirão ao seu médico diagnosticar e tratar os problemas provocados pela doença celíaca. Esta pode provocar problemas como ossos fracos ou quebradiços, mesmo se estiver a seguir uma dieta sem glúten.

  • Alimentação e dieta

    Um nutricionista, isto é, um especialista em alimentação saudável, pode ajudá-lo a selecionar os alimentos sem glúten, ensinando-o a verificar os rótulos dos alimentos e outros produtos para identificar a presença de glúten.
    O quadro que se segue apresenta uma lista não exaustiva de alimentos que pode consumir e de alimentos que terá de eliminar da sua dieta se sofrer de doença celíaca. O nutricionista ajudá-lo-á a perceber que outros alimentos pode ou não ingerir numa dieta sem glúten.
     

    Alimentos Autorizados
    Amaranto Frutos de casca rija
    Araruta Batatas
    Trigo mourisco Quinoa
    Mandioca Arroz
    Milho Sementes
    Linho Soja
    Leguminosas Tapioca
    Sorgo
    Alimentos que contêm Glúten
    Trigo (incluindo todas as farinhas, amido de trigo, farelo de trigo, germe de trigo, etc.) Cevada
    Centeio Triticale (híbrido de Trigo e Centeio)
    Alimentos transformados que podem conter Trigo, Cevada ou Centeio*
    Caldo em cubos ou pó Batatas fritas e outros fritos
    Hóstias Gomas e rebuçados
    Pão ázimo Carnes frias, salsichas, etc.
    Molhos e produtos com molhos Sopas
    Molho de soja

     

    *Grande parte destes alimentos existe em versões sem glúten. Em caso de dúvida, consulte o fabricante.


 

A RETER

 

  • A doença celíaca é uma doença autoimune que impossibilita a ingestão de glúten ou de produtos contendo glúten.
  • A doença celíaca ataca o intestino delgado.
  • As pessoas que sofrem de doença celíaca sem tratamento não conseguem obter alguns nutrientes necessários e podem vir a desenvolver outros problemas de saúde.
  • A doença celíaca é diagnosticada através de análises ao sangue e de uma biópsia do intestino delgado.
  • O único tratamento para a doença celíaca é evitar a ingestão de glúten.
  • Um nutricionista pode ajudá-lo a escolher os alimentos mais adequados.

Obstipação ou prisão de ventre significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Poderá sofrer de prisão de ventre, se evacuar três ou menos vezes por semana, ou se as suas fezes forem duras e secas, e sentir dificuldade ou dor ao evacuar. Em alguns casos, as pessoas podem ficar com falta de energia e sentir-se cheias ou inchadas.

Há quem considere que tem prisão de ventre se não evacuar todos os dias. No entanto, a verdade é que os hábitos intestinais variam muito: os alimentos que ingere, a quantidade de exercício que faz, assim como outros fatores, podem afetar os seus hábitos intestinais.

Quase toda a gente já sofreu de obstipação em algum momento da sua vida. Na maior parte dos casos, essa situação dura apenas um curto período e não tem qualquer gravidade. Se perceber o que provoca a prisão de ventre, poderá tomar medidas para preveni-la.

  • O que provoca a obstipação?

    Para compreender as causas da obstipação, convém saber como funciona o intestino grosso. Quando as fezes passam por ele, é-lhes retirada a maior parte da água que contêm, transformando-as assim num resíduo sólido. Em seguida, o intestino grosso faz deslocar as fezes através do reto e do ânus numa evacuação.
    A prisão de ventre ocorre quando as fezes passam demasiado lentamente através do intestino grosso. Quando isso acontece e as fezes permanecem demasiado tempo no intestino, é-lhes retirada uma quantidade de água excessiva e elas tornam-se duras e secas.
     
    Circunstâncias que podem provocar obstipação:

    • alterações nos hábitos de dieta ou exercício, ou uma viagem;
    • ignorar a vontade de evacuar;
    • excesso de stresse;
    • dieta pobre em fibras;
    • insuficiente ingestão de líquidos;
    • ingestão de suplementos de cálcio ou ferro;
    • ingestão de certos medicamentos como analgésicos com codeína, diuréticos, antidepressivos e alguns antiácidos.

     
    Situações médicas que podem provocar obstipação:

    • gravidez ou parto recente;
    • problemas com os músculos e os nervos do intestino, reto ou ânus;
    • Síndrome do Intestino Irritável, uma situação em que os nervos que controlam os músculos do intestino não funcionam adequadamente, tornando o intestino sensível a certos alimentos, às fezes, aos gases e ao stresse;
    • diabetes, uma doença em que o nível de açúcar no sangue é elevado (hiperglicemia), porque o corpo não consegue utilizar a glicose (açúcar) existente no sangue para produzir energia;
    • hipotiroidismo, uma doença em que a glândula tiroide não produz hormonas suficientes para as necessidades do corpo e, por consequência, muitas das funções do corpo diminuem de intensidade.

  • Que exames existem para detetar as causas da obstipação?

    Para determinar por que razão sofre de prisão de ventre, o seu médico irá realizar um exame físico completo. Poderá também pedir um ou mais exames, se suspeitar da existência de algum problema mais grave.
     

    • Sigmoidoscopia – O médico insere um tubo fino e flexível chamado sigmoidoscópio no reto, que permite visualizar o último terço do seu intestino grosso.
    • Colonoscopia – O médico visualiza todo o intestino grosso por meio de um longo tubo flexível equipado com uma câmara que mostra as imagens num ecrã. O aparelho é semelhante ao sigmoidoscópio, mas mais longo. Este exame é feito com sedação.
    • Estudo do trânsito colo-retal: Para efetuar este exame, terá de engolir umas pequenas cápsulas opacas aos Raios-X, cujos movimentos no aparelho digestivo são seguidos desde o intestino grosso até ao ânus.
    • Estudo funcional ano-retal: O médico insere um pequeno balão no ânus para verificar se o consegue empurrar para fora.
    • Defecografia: O médico insere uma pasta macia no reto e pede-lhe que faça força para a expelir, enquanto o aparelho de Raios-X obtém imagens do reto e ânus.

  • O que pode fazer?

    Pode tomar diversas medidas para prevenir e aliviar a obstipação.
     
    1. Ingira mais fibras.
    As fibras ajudam a formar fezes volumosas e macias, encontrando-se em muitos legumes, frutas e cereais. Adicione gradualmente fibras à sua dieta para que o seu corpo se vá habituando. Restrinja a ingestão de alimentos com pouca ou nenhuma fibra, tais como pizzas, gelados, queijos, carnes, batatas fritas e produtos similares, e alimentos processados, como puré de batata instantâneo ou refeições congeladas.
     

    Alimentos Ricos em Fibra
    Frutas Legumes Pão, cereais e leguminosas
    maçãs abóbora feijão-frade
    pessêgos bróculos feijão
    framboesas couves de Bruxelas favas
    tangerinas couve cereais integrais (para consumo a frio, por ex. cereais de pequeno almoço)
    laranjas cenouras cereais integrais (para consumo a quente, por ex. aveia)
    peras couve-flor pão de trigo ou cereais integrais
    ameixas espinafres,
    curgetes ou aboborinhas
     

     
    O seu médico poderá sugerir a ingestão de fibras em comprimidos ou em pó, para aumentar o volume das fezes e para as tornar mais macias. Este tipo de produtos não necessita de receita médica. É importante ingerir a fibra com água em abundância.
    Quando consomem mais fibras, a princípio, algumas pessoas sofrem de gases e de distensão abdominal. Informe o seu médico se este tipo de problemas persistir por mais de alguns dias.
     
    2. Beba muita água e outros líquidos, como sumos de frutas e legumes e sopas claras.
    Os líquidos não têm grande influência na consistência das fezes, mas ingeri-los em quantidade suficiente é importante, porque a desidratação pode provocar prisão de ventre. Se tiver sede ou se se sentir desidratado, procure não beber líquidos que contenham cafeína ou álcool.
     
    3. Faça exercício físico regularmente.
    O exercício regular ajuda o sistema digestivo a permanecer ativo e saudável. Fazer exercício durante 20 a 30 minutos por dia pode ajudar.
     
    4. Vá à casa de banho quando sentir tiver vontade de evacuar e com tempo suficiente para relaxar.
    Às vezes andamos tão apressados que não prestamos atenção às necessidades do nosso corpo. É importante ir à casa de banho quando tiver vontade de evacuar. Se isso costuma acontecer numa determinada altura do dia, vá à casa de banho por volta dessa altura. A leitura de um livro ou revista pode ajudá-lo a relaxar. Se não conseguir evacuar num período de 10 minutos, não insista e volte da próxima vez que sentir vontade.
     
    5. Recorra a laxantes apenas se o seu médico o recomendar.
    Os laxantes são medicamentos que ajudam a evacuar. A maior parte das pessoas que sofrem de obstipação ligeira não precisa de os tomar. No entanto, se estiver a fazer tudo o que deve fazer e continuar com prisão de ventre, o seu médico poderá recomendar–lhe o uso de um laxante durante um período de tempo limitado. Ele recomendar-lhe-á também o produto mais indicado no seu caso. Os laxantes vêm sob muitas formas, incluindo líquidos, pastilhas elásticas e comprimidos.
     
    6. Refira ao seu médico os medicamentos que está a tomar.
    Alguns medicamentos podem provocar obstipação. Não se esqueça de perguntar ao seu médico se é esse o caso de algum dos medicamentos que toma.
     
    7. Faça os tratamentos que o seu médico lhe recomendar.
    Se tiver problemas com os músculos e nervos que controlam os movimentos intestinais, o seu médico poderá sugerir-lhe um tratamento de biofeedback. Trata-se de um processo indolor que utiliza sensores na área retal para o ajudar a sentir as fezes e a expeli-las do reto. O tratamento de biofeedback efetuado por um terapeuta experimentado revela-se útil em certos casos de obstipação.


 

A RETER

 

  • Poderá sofrer de prisão de ventre, se evacuar três ou menos vezes por semana, ou se as suas fezes forem duras e secas, e sentir dificuldade ou dor ao evacuar.
  • Quase toda a gente já sofreu de prisão de ventre em algum momento da sua vida.
  • Na maior parte dos casos, algumas medidas simples ajudam a evitar a obstipação:
    • Consuma alimentos variados, sobretudo legumes, frutas e cereais.
    • Beba muitos líquidos.
    • Faça exercício regularmente.
    • Vá à casa de banho quando sentir vontade de evacuar.
  • A ingestão de fibras em comprimidos ou em pó pode ajudar a aliviar a prisão de ventre.
  • A maior parte das pessoas com obstipação ligeira não precisa de tomar laxantes. No entanto, se os seus sintomas não melhorarem, o seu médico poderá recomendar–lhe o uso de um laxante durante um período de tempo limitado.
  • Alguns medicamentos podem provocar obstipação.

A intolerância à lactose é a incapacidade ou insuficiente capacidade de digerir a lactose, um açúcar que se encontra no leite e nos produtos lácteos. A intolerância à lactose é provocada por insuficiência da enzima lactase, que é produzida pelas células que revestem o intestino delgado. A lactase decompõe a lactose em duas formas de açúcar mais simples, a glicose e a galactose, que são então absorvidas pela corrente sanguínea.

Nem todas as pessoas com insuficiência de lactase têm sintomas digestivos, mas as que os apresentam poderão sofrer de intolerância à lactose. A maioria das pessoas com intolerância à lactose consegue assimilar uma certa quantidade deste açúcar.
Por vezes, confunde-se intolerância à lactose com alergia ao leite de vaca. Esta última é uma reação do sistema imunitário do organismo a uma ou mais proteínas do leite e pode constituir risco de vida, mesmo quando apenas é ingerida uma pequena quantidade de leite ou derivados. A alergia ao leite surge normalmente no primeiro ano de vida, enquanto a intolerância à lactose ocorre com mais frequência na idade adulta.

  • O que provoca a Intolerância à Lactose?

    A melhor maneira de explicar as causas da intolerância à lactose é descrever como se desenvolve a insuficiência de lactase.
    A insuficiência de lactase primária demora algum tempo a desenvolver-se e surge normalmente depois dos 2 anos de idade, quando o corpo começa a produzir uma menor quantidade desta enzima. A maioria das crianças que têm insuficiência de lactase só apresenta sintomas de intolerância à lactose no final da adolescência ou até mesmo já na idade adulta.
    Foi identificada uma possível ligação genética à insuficiência de lactase primária: algumas pessoas herdam dos progenitores um gene que aumenta a probabilidade de desenvolvimento desta insuficiência. Esta descoberta poderá ser útil na conceção de futuros testes genéticos que identifiquem aqueles que correm o risco de vir a sofrer de intolerância à lactose.
    A insuficiência de lactase secundária resulta de danos provocados no intestino delgado, resultantes de doença diarreica grave, doença celíaca, doença de Crohn, ou quimioterapia. Este tipo de insuficiência pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum na infância.

  • Qual o risco de sofrer de Intolerância à Lactose?

    A intolerância à lactose é uma perturbação comum, cuja ocorrência é mais provável na idade adulta, apresentando maior incidência em adultos mais idosos. Algumas etnias ou raças parecem ser mais propensas, nomeadamente negros, asiáticos, índios, etc. É menos comum entre as populações do norte da Europa.
    Os recém-nascidos prematuros apresentam maior propensão a sofrer de insuficiência de lactase, dado que os níveis da enzima só aumentam a partir do terceiro trimestre de gravidez.

  • Quais são os Sintomas da Intolerância à Lactose?

    A intolerância à lactose pode provocar desconforto entre 30 minutos a 2 horas após a ingestão de leite e derivados. Os sintomas variam de moderados a graves, dependendo da quantidade de lactose ingerida e do grau de intolerância.
    Os sintomas mais comuns incluem:

    • dor abdominal
    • distensão (inchaço) abdominal
    • gases
    • diarreia
    • náuseas

  • Como se diagnostica a Intolerância à Lactose?

    A intolerância à lactose pode ser difícil de diagnosticar apenas com base nos sintomas digestivos, já que estes podem ser provocados por outras perturbações, como o Síndrome do Cólon Irritável (disponível na lista de temas). Depois de fazer a história clínica e proceder ao exame físico, o médico poderá começar por recomendar a eliminação do leite e laticínios da dieta durante um curto período, para verificar se os sintomas desaparecem. Poderá ainda ser necessário efetuar alguns testes adicionais.
    Utilizam-se dois testes para medir a digestão da lactose:
     
    Monitorização da quantidade de hidrogénio expirado: envolve a ingestão de uma bebida com elevada concentração de lactose e a subsequente análise da respiração a intervalos regulares para medir a quantidade de hidrogénio expirado. Normalmente, o ar expirado contém uma quantidade muito pequena de hidrogénio, mas a lactose não digerida produz níveis elevados deste elemento. Fumar ou consumir certos alimentos e medicamentos pode afetar a precisão dos resultados. Deve verificar junto do seu médico quais os alimentos e medicamentos que podem interferir com os resultados do teste.
     
    Teste da acidez das fezes: é utilizado em bebés e crianças pequenas. A lactose não digerida produz ácido láctico e outros ácidos gordos que podem ser detetados numa amostra de fezes. A não digestão da lactose pode estar também na origem da presença de glicose.
    Dado que a intolerância à lactose é pouco comum em crianças com menos de dois anos, o médico deve ter especial atenção ao determinar a causa dos sintomas digestivos de uma criança.

  • Como abordar a Intolerância à Lactose?

    Embora a capacidade de o organismo produzir lactase não possa ser alterada, os sintomas de intolerância à lactose podem ser controlados através de alterações na dieta. A maioria das pessoas com intolerância à lactose consegue assimilar uma certa quantidade de lactose. A introdução gradual de pequenas quantidades de leite ou produtos lácteos pode ajudar algumas pessoas a adaptarem-se a eles com menos sintomas. Frequentemente, a tolerância é maior quando estes produtos são ingeridos com as refeições.
    As alterações à dieta necessárias dependem da quantidade de lactose que se pode ingerir sem apresentar sintomas. Por exemplo, uma pessoa pode ter sintomas graves depois de beber um pequeno copo de leite, enquanto outra consegue beber um copo grande sem apresentar quaisquer sintomas. Noutros casos, é possível consumir sem problemas iogurte e certos queijos, mas não leite ou outros produtos lácteos.
    Recomenda-se que as pessoas com intolerância à lactose escolham produtos lácteos com níveis de lactose mais baixos do que o leite normal, como o iogurte e os queijos de pasta dura.
    O leite e os produtos lácteos isentos de lactose e com lactose reduzida, disponíveis na maioria das lojas, são idênticos ao leite normal, mas foi-lhes adicionada a enzima lactase. Se for ultrapasteurizado, o leite sem lactose tem um período de conservação igual ou superior ao do leite normal, mas poderá ter um sabor um pouco mais adocicado. Igualmente recomendados são o leite e outros produtos à base de soja.
    Se após estas alterações na dieta os sintomas persistirem, poderá ser receitada a ingestão da enzima lactase sob a forma de gotas ou comprimidos. A ingestão da enzima com o leite ou produtos lácteos poderá tornar estes alimentos mais facilmente tolerados por quem sofre deste síndrome.
    Os pais de crianças com intolerância à lactose devem seguir o plano nutricional recomendado pelo médico ou nutricionista.

  • Intolerância à Lactose e Ingestão de Cálcio

    O leite e os produtos lácteos são uma importante fonte de cálcio e outros nutrientes. O cálcio é essencial para o crescimento e reconstrução dos ossos em todas as idades. A carência de cálcio na dieta de crianças e adultos poderá traduzir-se posteriormente numa fragilidade óssea conhecida por osteoporose, na qual os ossos ficam mais sujeitos a fraturas.
    A quantidade de cálcio necessária à manutenção de uma boa saúde varia consoante a idade. A Tabela 1 apresenta as quantidades recomendadas.
     
    Tabela 1 – Cálcio: doses diárias recomendadas por faixa etária
     

    Faixa etária Quantidade diária recomendada (mg)
    0-6 meses 210 mg
    7-12 meses 270 mg
    1-3 anos 500 mg
    4-8 anos 800 mg
    19-50 anos 1,300 mg
    51-70+ anos 1,200 mg

     

    Fonte: Adaptado de Dietary Reference Intakes, 2004, Institute of Medicine, National Academy of Sciences (EUA)

     
    As mulheres grávidas ou a amamentar necessitam de entre 1 000 a 1 300 mg de cálcio por dia.
     
    A ingestão de uma quantidade suficiente de cálcio é importante para as pessoas que sofrem de intolerância à lactose, nos casos em que a ingestão de leite e produtos lácteos é restringida. Há muitos alimentos que podem fornecer o cálcio e outros nutrientes de que o corpo necessita, por exemplo, os peixes gordos, como o salmão e a sardinha, e os vegetais verde-escuros, como os espinafres.
     
    Em muitos casos de intolerância à lactose, o iogurte feito a partir de culturas de bactérias vivas (Lactobacillus) pode ser uma boa fonte de cálcio. Quando este tipo de iogurte entra no intestino, as culturas bacterianas transformam a lactose em ácido láctico, permitindo assim que o iogurte seja bem tolerado, ao contrário do que poderá acontecer com o iogurte normal.
    O cálcio só é absorvido e utilizado pelo organismo, quando existe uma quantidade suficiente de vitamina D. Em alguns casos, a intolerância à lactose deve-se apenas a uma insuficiência desta vitamina na dieta. A vitamina D está presente em alimentos como ovos e fígado, assim como no leite e iogurtes enriquecidos. A exposição regular ao sol também ajuda o corpo a absorvê-la naturalmente. Fale com o seu médico ou com um nutricionista para estabelecer uma dieta equilibrada, que forneça uma quantidade adequada de nutrientes, incluindo cálcio e vitamina D, evitando assim sintomas de carência ou intolerância. Ele determinará se são necessários suplementos de cálcio ou outros.

  • Que outros produtos contêm lactose?

    Há muitos produtos alimentares transformados aos quais foram adicionados leite e lacticínios, podendo assim conter pequenas quantidades de lactose:

    • pão e outros produtos de panificação
    • bolachas, biscoitos, flocos, panquecas e misturas pré-preparadas para confecionar estes produtos
    • cereais de pequeno almoço
    • puré de batata, sopas e bebidas instantâneas
    • batatas fritas, fritos de milho e produtos similares
    • preparados de carnes, como bacon, salsichas, etc.
    • margarina
    • molhos para salada
    • substitutos de refeição líquidos à base de leite em pó
    • proteínas em pó e em barra
    • doces diversos
    • coberturas para bolos não lácteas

     
    É aconselhável verificar os ingredientes nos rótulos dos alimentos para identificar possíveis fontes de lactose. Se encontrar alguma das palavras a seguir apresentadas, isso significa que o produto em questão contém lactose:

    • leite
    • lactose
    • soro de leite
    • coalhada
    • derivados de leite
    • matéria seca de leite
    • leite em pó desnatado

     
    A lactose é também utilizada em alguns medicamentos, incluindo pílulas anticoncecionais e medicamentos vendidos sem receita médica, como antiácidos e remédios para os gases. Este tipo de medicamentos provoca frequentemente sintomas em pessoas com intolerância grave à lactose.


 

A RETER

 

  • A intolerância à lactose é a incapacidade ou insuficiente capacidade de digerir a lactose, um açúcar que se encontra no leite e nos produtos lácteos.
  • A intolerância à lactose é provocada por uma insuficiência na enzima lactase, que é produzida pelas células que revestem o intestino delgado.
  • Nem todas as pessoas com insuficiência de lactase têm sintomas digestivos, mas as que os apresentam poderão sofrer de intolerância à lactose.
  • A maioria das pessoas com intolerância à lactose consegue assimilar uma certa quantidade deste açúcar.
  • As pessoas com intolerância à lactose podem sentir desconforto após a ingestão de leite e produtos lácteos. Os sintomas incluem dor abdominal, distensão (inchaço) abdominal, gases, diarreia e náuseas.
  • Os sintomas de intolerância à lactose podem ser controlados através de alterações na dieta.
  • A ingestão de uma quantidade suficiente de cálcio e vitamina D é uma preocupação no caso de intolerância à lactose em que é necessária a restrição do consumo de leite e produtos lácteos, mas a verdade é que há muitos alimentos que podem fornecer o cálcio e outros nutrientes de que o corpo necessita.
  • O seu médico ou nutricionista pode ajudar a estabelecer uma dieta equilibrada, que forneça uma quantidade adequada de nutrientes, incluindo cálcio e vitamina D, e minimize o desconforto. Ele indicará se é necessária a ingestão de cálcio ou outros suplementos dietéticos.
  • Há muitos produtos alimentares transformados aos quais são adicionados leite e lacticínios, pelo que em caso de intolerância à lactose deve verificar os ingredientes nos rótulos para identificar possíveis fontes de lactose.

O Síndrome do Vómito Cíclico é caracterizado por episódios ou ciclos de náuseas e vómitos intensos que podem durar horas, ou até mesmo dias, alternando com intervalos assintomáticos. Embora tenha sido originalmente considerada uma doença pediátrica, o Síndrome do Vómito Cíclico pode ocorrer em todas as faixas etárias. Estudos médicos apontam para uma correlação entre o Síndrome do Vómito Cíclico e a enxaqueca.
Os episódios o Síndrome do Vómito Cíclico são semelhantes entre si, ou seja, começam normalmente à mesma hora do dia, duram o mesmo período de tempo e apresentam os mesmos sintomas e níveis de intensidade. Embora o Síndrome do Vómito Cíclico se possa desencadear em qualquer idade, nas crianças tem mais frequentemente início entre os 3 e os 7 anos.
Os episódios podem ser tão intensos que a pessoa afetada tem de ficar de cama durante dias, incapaz de se deslocar para a escola ou o trabalho. Desconhece-se o número exato de pessoas afetadas pelo Síndrome do Vómito Cíclico, mas estima-se que seja superior ao que normalmente se julga. Dado que outras doenças e distúrbios mais comuns também provocam ciclos de vómitos, muitas pessoas com o Síndrome do Vómito Cíclico são inicialmente mal diagnosticadas, até ser eliminada a possibilidade de ocorrência dessas outras enfermidades. O Síndrome do Vómito Cíclico pode ser nefasta e até perturbadora não só para as pessoas diretamente afetadas, mas também para as respetivas famílias.
  • As quatro fases do Síndrome do Vómito Cíclico

    O Síndrome do Vómito Cíclico apresenta quatro fases:

    • Fase assintomática: período entre episódios, em que não há quaisquer sintomas.
    • Fase de pródromo: surgem indícios de que um episódio de náuseas e vómitos está prestes a começar. Esta fase, frequentemente caracterizada por náuseas com ou sem dores abdominais, pode durar de alguns minutos a várias horas. Por vezes, tomar a medicamentação indicada logo no início da fase pode impedir que o episódio se desencadeie. No entanto, pode acontecer também não existir qualquer indício: o indivíduo simplesmente acorda de manhã e começa a vomitar.
    • Fase de vómitos: consiste num período de náuseas e vómitos, com incapacidade para comer, beber ou tomar medicamentos sem vomitar, e caracterizado por palidez, sonolência e fadiga extrema.
    • Fase de recuperação: tem início quando as náuseas e os vómitos param; o indivíduo recupera a cor, o apetite e a energia.

  • O que desencadeia o Síndrome do Vómito Cíclico?

    Muitas pessoas conseguem identificar uma determinada situação ou acontecimento que está na origem dos episódios de vómitos, como, por exemplo, uma infeção. Causas comuns nas crianças incluem situações de stresse emocional e excitação. Os ataques de ansiedade e de pânico são causas mais comuns em adultos. Constipações, alergias, problemas de sinusite e gripe podem também desencadear episódios em certas pessoas.
    Outras causas incluem a ingestão de certos alimentos, como o chocolate ou o queijo, ou a ingestão de alimentos em excesso ou imediatamente antes de dormir. O tempo quente, a exaustão física, a menstruação e o enjoo provocado pelo movimento podem também desencadear episódios de Síndrome do Vómito Cíclico.
    Quais são os sintomas do Síndrome do Vómito Cíclico?
    Uma pessoa que tenha os seguintes sintomas durante pelo menos três meses, com início pelo menos seis meses antes, poderá sofrer do Síndrome do Vómito Cíclico:

    • episódios de vómitos que começam de forma muito intensa (várias vezes por hora) e duram menos de uma semana;
    • três ou mais episódios distintos de vómitos durante o ano anterior;
    • ausência de náuseas ou vómitos entre os episódios.

    Uma pessoa afetada pelo Síndrome do Vómito Cíclico pode ter dores abdominais, diarreia, febre, tonturas e sensibilidade à luz durante os episódios de vómitos. O vómito continuado pode provocar uma desidratação grave que poderá colocar a vida em risco. Os sintomas de desidratação incluem sede, diminuição da quantidade de urina produzida, palidez, fadiga extrema e apatia. Uma pessoa com sintomas de desidratação deve procurar de imediato assistência médica.

  • Como se diagnostica o Síndrome do Vómito Cíclico

    O Síndrome do Vómito Cíclico é difícil de diagnosticar porque não existe nenhum exame clínico concludente, como, por exemplo, uma análise de sangue ou uma radiografia. O médico tem de analisar os sintomas e o historial do doente, de modo a eliminar a possibilidade de outras doenças ou distúrbios comuns que podem provocar náuseas e vómitos. O diagnóstico demora tempo, porque é também necessário identificar um padrão ou um ciclo para os vómitos.

  • O Síndrome do Vómito Cíclico e enxaqueca

    A relação entre o Síndrome do Vómito Cíclico e a enxaqueca é ainda pouco clara, mas os estudos médicos já realizados apontam para a existência de uma correlação.
    A enxaqueca mais comum, que provoca dores de cabeça intensas, a enxaqueca abdominal, que provoca dores de estômago, e o Síndrome do Vómito Cíclico apresentam todas sintomas de grande intensidade que começam e acabam rapidamente e são seguidos por intervalos sem dor ou outros sintomas.
    Muitas das situações que estão na origem do Síndrome do Vómito Cíclico, incluindo o stress e a excitação, podem também provocar enxaquecas.
    Os estudos revelam que muitas das crianças afetadas pelo Síndrome do Vómito Cíclico têm um historial familiar de enxaqueca ou desenvolvem enxaquecas à medida que vão crescendo.
    Devido às semelhanças entre o Síndrome do Vómito Cíclico e a enxaqueca, os médicos tratam algumas pessoas com sintomas graves do Síndrome do Vómito Cíclico com medicamentos que são também utilizados no tratamento da enxaqueca. Estes medicamentos são concebidos para prevenir os episódios, reduzir a sua frequência e atenuar a sua intensidade.

  • Qual é o tratamento do Síndrome do Vómito Cíclico?

    O tratamento varia, mas, de um modo geral, as pessoas afetadas pelo Síndrome do Vómito Cíclico melhoram quando aprendem a controlar os sintomas. São normalmente aconselhadas a descansar e a dormir o suficiente, assim como a tomar a medicamentação que previne o início de um episódio de vómitos, interrompe o seu desenvolvimento, acelera a recuperação ou alivia os sintomas associados.
    Depois do início de um episódio de vómitos, é normalmente necessário que a pessoa fique de cama e repouse num quarto escuro e silencioso. As náuseas e os vómitos intensos podem implicar hospitalização e a administração de fluidos intravenosos para prevenir a desidratação. Se as náuseas persistirem, poderão ser administrados sedativos.
    Por vezes, durante a fase de pródromo, é possível impedir a ocorrência de um episódio. Por exemplo, as pessoas que apresentam sintomas de náuseas ou dores abdominais antes de um episódio deverão consultar o seu médico sobre a possibilidade de tomarem medicamentos para controlar os sintomas.
    Durante a fase de recuperação, é importante beber água e repor os eletrólitos perdidos. Os eletrólitos são sais de que o corpo necessita para funcionar normalmente e se manter saudável. Durante a fase de recuperação, os sintomas podem variar. Algumas pessoas consideram que o seu apetite volta imediatamente ao normal, enquanto outras precisam de começar por ingerir apenas líquidos, passando depois lentamente para os alimentos sólidos.
    As pessoas cujos episódios são frequentes e de longa duração poderão ser medicadas durante os intervalos livres de sintomas, para procurar prevenir ou aliviar episódios futuros. Os medicamentos para a enxaqueca são por vezes utilizados nesta fase, embora não funcionem de igual modo para todos. Poderá ser necessário tomar o medicamento diariamente durante um a dois meses para atestar a sua eficácia.
    A fase assintomática será uma boa ocasião para resolver situações que se perceba estarem associadas ao desencadear de um episódio. Por exemplo, se os episódios são provocados por situações de stress ou excitação, esta é a altura ideal para encontrar formas de reduzir as causas de stress e promover a tranquilidade. Se na origem dos episódios estão problemas de sinusite ou alergias, estes devem ser tratados.
    Durante a ocorrência de um episódio, podem ser receitados os novos medicamentos contra a enxaqueca.

  • Quais são as complicações associadas ao Síndrome do Vómito Cíclico?


    Os vómitos intensos que caracterizam o Síndrome do Vómito Cíclico constituem um fator de risco para diversas complicações:

    • Desidratação – Os vómitos provocam uma rápida perda da água existente no corpo. A desidratação pode ser grave e deve ser tratada imediatamente.
    • Desequilíbrio eletrolítico – Os vómitos provocam uma perda de sais importantes de que o corpo necessita para funcionar normalmente.
    • Esofagite péptica – O esófago (o canal que liga a boca ao estômago) é afetado pelos ácidos provenientes do estômago que passam através dele durante o vómito.
    • Vómitos de sangue – A agressão ao esófago provoca sangramento, com o sangue a misturar-se com o vómito.
    • Síndrome de Mallory-Weiss – O vómito ou o esforço feito ao vomitar pode rasgar a extremidade inferior do esófago.
    • Cárie dentária – A acidez do vómito pode afetar os dentes por corrosão do esmalte.


A RETER:


  • As pessoas com o Síndrome do Vómito Cíclico sofrem de períodos de náuseas e vómitos intensos.
  • O Síndrome do Vómito Cíclico ocorre em todas as faixas etárias.
  • Os estudos médicos apontam para uma correlação entre o Síndrome do Vómito Cíclico e a enxaqueca.
  • O Síndrome do Vómito Cíclico apresenta quatro fases: fase assintomática, fase de pródromo, fase de vómitos e fase de recuperação.
  • Muitas pessoas conseguem identificar uma situação ou um acontecimento que desencadeia o episódio de náuseas e vómitos. As infeções e o stress emocional são duas causas comuns.
  • Os principais sintomas do Síndrome do Vómito Cíclico são episódios intermitentes de náuseas e vómitos. Os vómitos podem conduzir a uma desidratação grave que pode colocar a vida em risco.
  • Os sintomas de desidratação incluem sede, diminuição da quantidade de urina produzida, palidez, fadiga extrema e apatia. Uma pessoa com sintomas de desidratação deve procurar assistência médica imediatamente.
  • O diagnóstico d o Síndrome do Vómito Cíclico é exclusivamente feito através da análise dos sintomas e do historial médico, de modo a eliminar outras possíveis causas de náuseas e vómitos. É ainda necessário identificar um padrão ou ciclo para os sintomas.
  • O tratamento varia de acordo com o indivíduo em causa, mas de uma maneira geral as pessoas que sofrem d o Síndrome do Vómito Cíclico melhoram quando aprendem a controlar os seus sintomas. Poderá também ser administrada medicação para prevenir a ocorrência de episódios de vómitos, interromper o desenvolvimento de um episódio, acelerar a recuperação ou aliviar os sintomas.
  • As complicações do Síndrome do Vómito Cíclico incluem a desidratação, que pode ser grave, o desequilíbrio eletrolítico, a esofagite péptica, vómitos de sangue, o síndrome de Mallory-Weiss e a cárie dentária.

Uma úlcera péptica é uma ferida no revestimento do estômago ou do duodeno, a parte inicial do intestino delgado. As úlceras pépticas distinguem-se de acordo com a sua localização: úlcera gástrica (no estômago) e úlcera duodenal (no duodeno). É possível ter ambas em simultâneo e é também possível desenvolver úlceras pépticas mais de uma vez na vida. São uma afeção comum, que atinge milhões de pessoas em todo o mundo.
  • O que provoca uma Úlcera Péptica?

    A bactéria designada por Helicobacter pylori (H. pylori) é uma das principais causas de úlcera péptica. A ingestão de anti-inflamatórios não esteroides (AINE), como a aspirina e o ibuprofeno, é outra causa comum.
    As úlceras pépticas não são provocadas por stress ou por comida condimentada, embora estes dois fatores possam estar na origem de um agravamento dos sintomas. Fumar e beber álcool podem também agravar os sintomas e impedir a cura.

  • O que é a Helicobacter Pilory?

    A H. Pylori é uma bactéria, ou seja, um microrganismo susceptível de provocar uma infeção. A infeção por H. Pylori é comum, sobretudo nos países em desenvolvimento, e, frequentemente, tem início na infância. Os sintomas não se manifestam, normalmente, até à idade adulta, embora a maioria das pessoas nunca chegue a ter sintomas.
    Esta bactéria é responsável por mais de metade das úlceras pépticas que ocorrem em todo o mundo. A bactéria atua danificando o revestimento mucoso que protege o estômago e o duodeno e permitindo assim que o poderoso ácido do estômago atinja o revestimento mais sensível que se encontra por baixo dessa camada. Em conjunto, o ácido do estômago e a H. Pylori irritam a mucosa do estômago ou do duodeno e provocam a úlcera.
    No entanto, a maioria das pessoas infetadas com a H. Pylori nunca desenvolve úlceras. Desconhece-se a razão pela qual a bactéria provoca úlceras em algumas pessoas e não noutras. Muito provavelmente, o desenvolvimento de úlceras depende das características da pessoa infetada, do tipo ou estirpe da bactéria presente e, possivelmente, de outros fatores que os investigadores ainda não descobriram.

  • Como se propaga a Hlicobacter Pilory?

    Os investigadores não têm a certeza sobre a transmissão da H. Pylori, embora acreditem que ela possa ocorrer através de alimentos ou água contaminados. As pessoas podem apanhar a bactéria através de alimentos que não foram bem lavados ou adequadamente cozinhados, ou através de água potável proveniente de fontes contaminadas.
    Outros estudos exploram a maneira como a infeção por H. Pylori se propaga de uma pessoa infetada para uma pessoa não infetada, sugerindo que o contacto com as fezes ou o vómito de uma pessoa infetada possa propagar a doença. A bactéria foi também encontrada na saliva de algumas pessoas infetadas, o que significa que poderá ser transmitida através de contacto direto com a saliva.

  • Quais são os sintomas de uma Úlcera Péptica?

    O desconforto abdominal é o sintoma mais comum tanto da úlcera duodenal como da úlcera gástrica, podendo localizar-se entre o umbigo e o esterno. Geralmente,

    • consiste numa dor ou numa sensação de ardor;
    • ocorre quando o estômago está vazio – entre as refeições ou durante a noite;
    • pode ser temporariamente aliviado pela ingestão de alimentos, no caso das úlceras duodenais, ou de antiácidos, em ambos os tipos de úlceras;
    • pode durar alguns minutos ou algumas horas;
    • ocorre intermitentemente ao longo de vários dias ou semanas.

    Outros sintomas incluem:

    • perda de peso;
    • falta de apetite;
    • eructação (arrotos);
    • náuseas;
    • vómitos.

    Algumas pessoas têm apenas sintomas ligeiros ou não apresentam mesmo qualquer sintoma.

  • Sintomas que envolvem emergência

    Se tiver qualquer um dos seguintes sintomas, deve consultar imediatamente o seu médico:

    • súbita dor de estômago aguda, persistente e intensa;
    • fezes escuras ou com sangue;
    • vómito com sangue ou semelhante a borras de café.


    • Estes sintomas de alarme podem ser indicadores de um problema grave, como, por exemplo:

    • sangramento – quando o ácido ou a úlcera péptica rompe um vaso sanguíneo;
    • perfuração – quando a úlcera péptica provoca um ferimento que atravessa por completo a parede do estômago ou do duodeno;
    • obstrução – quando a úlcera péptica impede a passagem dos alimentos que tentam sair do estômago.

  • Como se diagnostica uma úlcera induzida por Helicobacter Pylori?

    TÉCNICAS NÃO-INVASIVAS
    Se um doente tiver sintomas de úlcera péptica, o médico começará por lhe perguntar se toma habitualmente anti-inflamatórios não esteroides (AINE), sujeitos ou não a receita médica. Em caso afirmativo, será convidado a deixar de o fazer, a reduzir a dose ou a mudar para outro tipo de medicamento.
    Em seguida, o médico solicitará exames para verificar a presença ou não da bactéria H. Pylori. Os exames são importantes, porque as úlceras induzidas pela H. Pylori são tratadas de forma diferente das úlceras provocadas por AINE.
    Os médicos recorrem a um de três exames simples e não invasivos para detectar a H. Pylori: ao ar expirado, às fezes, ou ao sangue. Os dois primeiros permitem detetar a presença da bactéria com maior rigor do que a análise ao sangue, pelo que são normalmente mais utilizados. Qualquer dos exames a seguir descritos é facilmente executado, normalmente em regime ambulatório, por exemplo, num consultório médico ou num laboratório.
    Teste respiratório da ureia – CUBT: o doente ingere uma cápsula, um líquido ou uma pasta contendo ureia “marcada” com um átomo de carbono especial. Passados alguns minutos, o doente expira para dentro de um recipiente, exalando dióxido de carbono. Se o ar expirado contiver o átomo de carbono especial, a H. Pylori estará presente, já que esta bactéria contém grandes quantidades de urease, uma substância química que decompõe a ureia em dióxido de carbono e amónia.
    Teste do antigénio fecal: é feita uma pesquisa de antigénios de H. Pylori numa amostra de fezes.
    Análise de sangue: é feita uma pesquisa de anticorpos de H. Pylori numa amostra de sangue. (Os anticorpos são substâncias que o organismo produz para combater substâncias invasoras nocivas, designadas por antigénios, tais como a bactéria H. Pylori). Esta técnica não distingue bem uma infecção ativa de uma infecção já curada e por isso só se usa em estudos de epidemiologia.

    TÉCNICAS INVASIVAS
    Se um doente tiver sintomas de alarme, o médico prescreverá uma Endoscopia Digestiva Alta ou uma radiografia do estômago. Estes exames são também recomendados para doentes que têm sintomas de úlcera péptica pela primeira vez por volta dos 50 anos de idade. Normalmente realizados em regime ambulatório, ambos os procedimentos são indolores e permitem ao médico ver o interior do estômago e do duodeno do paciente.
    Se a úlcera sangrar, o médico poderá utilizar o endoscópio para injetar medicamentos que ajudem a coagular o sangue ou para orientar uma sonda térmica que queime o tecido, estacando assim o sangramento (um processo designado por cauterização).
    Para efetuar uma radiografia gastrointestinal alta, o doente tem de ingerir uma solução branca de bário, que torna o esófago, o estômago e o duodeno, assim como quaisquer úlceras, visíveis aos Raios X. Para este procedimento, não é necessário recorrer a sedação.

  • Qual o tratamento de uma úlcera induzida por Helicobacter Pylori?

    As úlceras pépticas provocadas por H. Pylori são tratadas com medicamentos que eliminam a bactéria, reduzem a acidez gástrica e protegem o revestimento do estômago e do duodeno.
    Os antibióticos são utilizados para eliminar a H. Pylori. Os regimes com estes medicamentos podem variar, dado que algumas estirpes da bactéria se tornaram resistentes a certos antibióticos – o que significa que um antibiótico que em tempos a eliminava deixou de ser eficaz. Os médicos acompanham de perto a investigação sobre tratamentos com antibióticos para esta infecção, para se manterem informados sobre a melhor estratégia de tratamento para cada estirpe.
    Normalmente, os tratamentos recomendados para a úlcera provocada por H. Pylori envolvem terapias combinadas de antibióticos com medicamentos que diminuem a produção de ácido no estômago (os inibidores da bomba de protões)
    Estas terapias combinadas podem provocar náuseas e outros efeitos secundários, incluindo:

    • perturbações gástricas;
    • diarreia;
    • dor de cabeça;
    • travo metálico;
    • língua ou fezes escuras;
    • rubor ao ingerir álcool;
    • sensibilidade ao sol.

    Os doentes devem comunicar quaisquer efeitos secundários adversos ao seu médico, que poderá receitar outros medicamentos para eliminar a bactéria e curar a úlcera.
    Embora os antibióticos curem 80 a 90 por cento das úlceras provocadas por H. Pylori, a erradicação da bactéria poderá ser difícil. Os doentes devem continuar a tomar todos os medicamentos exatamente como prescrito, mesmo quando a dor associada tiver desaparecido.
    Pelo menos oito semanas após o tratamento, o médico fará um exame à respiração para verificar se a infeção ficou completamente curada. Após o tratamento, as análises ao sangue já não são adequadas, porque poderão ser positivas para a H. Pylori, mesmo que a bactéria tenha sido eliminada.
    Se a infeção persistir, as úlceras poderão voltar a ocorrer ou, mais raramente, poderá desenvolver-se um carcinoma do estômago. Assim, alguns doentes terão de fazer mais de um tratamento para erradicar totalmente a bactéria. Neste segundo tratamento, o médico prescreverá antibióticos diferentes da primeira vez.

  • Os antiácidos, ou o leite, podem ajudar a curar uma Úlcera Péptica?

    Os antiácidos podem aliviar temporariamente a dor provocada pela úlcera, mas não eliminarão a bactéria. Os doentes que seguem um tratamento para a úlcera provocada por H. Pylori devem consultar o seu médico antes de tomarem antiácidos. Alguns dos antibióticos utilizados para eliminar a H. Pylori poderão ser menos eficazes quando combinados com um antiácido.
    Acreditava-se que beber leite ajudava a curar as úlceras pépticas, mas sabe-se hoje que, embora o leite possa produzir melhoras temporárias, provoca também um aumento da acidez do estômago, o que pode agravar a doença. Os doentes devem conversar com o seu médico sobre a ingestão de leite durante o tratamento.

  • A infeção por Helicobacter Pylori pode ser evitada?

    Não se sabe ao certo como se propaga a H. Pylori, por isso a sua prevenção é difícil. Os investigadores estão a tentar desenvolver uma vacina para prevenir e até mesmo curar a infeção. Para ajudar na prevenção, os médicos aconselham a:

    • lavar as mãos com água e sabão depois de ir à casa de banho e antes de comer;
    • ingerir alimentos bem lavados e preparados adequadamente;
    • beber água de fontes limpas e seguras.


    A RETER:


  • A úlcera péptica é uma ferida no revestimento do estômago ou duodeno.
  • A maioria das úlceras pépticas são provocadas pela bactéria Helicobacter pylori. O uso de AINE, como a aspirina e o ibuprofeno, é outra causa comum.
  • Nem o stress nem a comida condimentada provocam úlceras. No entanto, fumar ou beber álcool podem agravar uma úlcera e impedir a sua cura.
  • O desconforto abdominal provocado pela úlcera péptica
    • consiste numa dor ou numa sensação de ardor;
    • ocorre quando o estômago está vazio – entre as refeições ou durante a noite;
    • pode ser temporariamente aliviado pela ingestão de alimentos, no caso das úlceras duodenais, ou de antiácidos, em ambos os tipos de úlceras;
    • pode durar alguns minutos ou algumas horas;
    • ocorre intermitentemente ao longo de vários dias ou semanas.
  • O tratamento mais eficaz para a úlcera péptica induzida por H. pylori consiste numa combinação de antibióticos e medicamentos redutores da acidez.
  • É necessário fazer exames após o tratamento para ter certeza de que a infeção por H. pylori foi erradicada.
  • Para ajudar a prevenir uma infeção por H. pylori, deve-se:
    • lavar as mãos depois de ir à casa de banho e antes de comer;
    • ingerir alimentos adequadamente preparados;
    • beber água de fontes limpas e seguras.

O aparelho digestivo é constituído pelo trato digestivo (uma série de órgãos ocos unidos num longo canal que se desdobra desde a boca até ao ânus) e por outros órgãos que ajudam o corpo a decompor e a absorver os alimentos.
Os órgãos que compõem o trato digestivo são a boca, o esófago, o estômago, o intestino delgado, o intestino grosso, também designado por cólon, o reto e o ânus. Todos estes órgãos ocos contêm um revestimento a que se chama mucosa. Na boca, no estômago e no intestino delgado, a mucosa possui pequenas glândulas que produzem sucos para ajudar a digerir os alimentos. O trato digestivo inclui também uma camada de tecido muscular liso que a deslocá-los.
Dois órgãos digestivos “sólidos” (não ocos), o fígado e o pâncreas, produzem sucos digestivos que chegam ao intestino através de pequenos canais chamados ductos. A vesícula biliar armazena os sucos digestivos do fígado até estes serem necessários no intestino. Partes do sistema nervoso e do aparelho circulatório desempenham igualmente papéis importantes no aparelho digestivo.
  • A importância da digestão

    Os alimentos que ingerimos (por exemplo, pão, carne ou legumes) não se encontram sob uma forma que o corpo possa utilizar diretamente. Para poderem ser absorvidos pela corrente sanguínea e transportados a todas as células do corpo, de modo a permitir que estas disponham da energia necessária, os alimentos sólidos e líquidos têm de ser decompostos em moléculas de nutrientes mais pequenas. É este processo de decomposição que se designa por digestão.

  • A digestão dos alimentos

    A digestão envolve a mistura dos alimentos ingeridos com os sucos digestivos, a sua deslocação através do trato digestivo e a decomposição das suas grandes moléculas em moléculas mais pequenas. A digestão começa na boca, quando mastigamos e engolimos, e termina no intestino delgado.

  • A deslocação dos alimentos através do aparelho digestivo

    Os grandes órgãos ocos do trato digestivo estão revestidos por uma camada de tecido muscular que permite que as suas paredes se contraiam e distendam. O movimento das paredes dos órgãos impulsiona os alimentos sólidos e líquidos através do aparelho digestivo, permitindo também misturar o conteúdo de cada órgão.
    O primeiro grande movimento muscular ocorre quando o alimento ou líquido é engolido. Embora a deglutição se inicie por vontade própria, uma vez desencadeado o processo, este torna-se involuntário e prossegue sob o controlo do sistema nervoso.
    Os alimentos engolidos são empurrados para o esófago, o canal que liga a garganta ao estômago. Na junção entre o esófago e o estômago, existe um músculo em forma de anel, chamado esfíncter esofágico inferior, que fecha a passagem entre os dois órgãos. À medida que os alimentos se aproximam do esfíncter fechado, este relaxa, abrindo-se para permitir a passagem dos alimentos para o estômago.
    O estômago tem três funções mecânicas. A primeira é o armazenamento dos alimentos e líquidos ingeridos. Para isso, o músculo da parte superior do estômago relaxa de modo a permitir a entrada de grandes volumes de material deglutido. A segunda função é a mistura dos alimentos sólidos e líquidos ingeridos com o suco digestivo produzido pelo estômago, o que acontece na parte inferior deste, através da ação muscular. A terceira função do estômago consiste no lento esvaziamento do seu conteúdo para o intestino delgado.
    Diversos fatores afetam este esvaziamento do estômago, incluindo o tipo de alimento e o nível de ação muscular do estômago e do intestino delgado. Os hidratos de carbono, por exemplo, ficam no estômago o mínimo de tempo, enquanto as proteínas permanecem mais tempo e as gorduras mais ainda. À medida que os alimentos se dissolvem passam para o duodeno onde se misturam com os sucos do pâncreas, fígado. O conteúdo do intestino vai sendo misturado e empurrado para diante, permitindo assim que a digestão prossiga.
    Finalmente, os nutrientes digeridos são absorvidos através da parede intestinal e transportados para todo o corpo. Os resíduos deste processo incluem as partes não digeridas dos alimentos, conhecidas como fibras, e células mais velhas que se vão libertando da mucosa. Estes materiais são empurrados para o cólon, onde permanecem até à expulsão das fezes por evacuação.

  • Produção de sucos digestivos

    As glândulas digestivas que primeiro atuam localizam-se na boca – são as glândulas salivares. A saliva produzida por estas glândulas contém uma enzima que começa a decompor o amido dos alimentos em moléculas mais pequenas. Uma enzima é uma substância que acelera as reações químicas do corpo.
    O grupo seguinte de glândulas digestivas encontra-se na parede do estômago e produz um suco digestivo ácido e uma enzima que digere as proteínas. Uma espessa camada de muco reveste a mucosa do estômago, impedindo que este ácido dissolva o tecido do próprio estômago. Na maioria das pessoas, a mucosa do estômago consegue resistir ao suco, o que não acontece com os alimentos nem com outros tecidos do corpo.
    Depois de concluído o esvaziamento da mistura de alimentos e suco do estômago para o intestino delgado, dá-se a intervenção de dois outros órgãos digestivos, que segregam os respetivos sucos. Um destes órgãos, o pâncreas, produz um suco que contém uma grande variedade de enzimas, as quais decompõem os hidratos de carbono, a gordura e as proteínas dos alimentos. Outras enzimas que desempenham um papel ativo no processo provêm de glândulas existentes na parede do intestino.
    O segundo órgão, o fígado, produz um outro suco digestivo importante: a bílis. Entre as refeições, a bílis é armazenada na vesícula biliar. Quando os alimentos são ingeridos, a bílis é expelida, através das vias biliares, para o intestino, misturando-se com a gordura alimentar. Os ácidos biliares dissolvem as gorduras no conteúdo aquoso do intestino, muito à semelhança de um detergente que dissolve a gordura de uma frigideira. Uma vez dissolvida a gordura, ela é digerida pelas enzimas produzidas pelo pâncreas e pela parede do intestino.

  • Absorção e transporte dos nutrientes

    A maior parte das moléculas dos alimentos digeridos, assim como a água e os sais minerais são absorvidos através do intestino delgado. A mucosa do intestino delgado contém inúmeras pregas revestidas de minúsculas saliências digitiformes chamadas vilosidades intestinais, que estão, por sua vez, cobertas de saliências microscópicas designadas por microvilosidades. Estas estruturas criam uma vasta superfície através da qual os nutrientes são absorvidos. Células especializadas permitem que os materiais absorvidos atravessem a mucosa para o sangue, sendo então transportados pela corrente sanguínea para outras partes do corpo, onde são armazenados ou sofrem alterações químicas adicionais. Esta parte do processo varia de acordo com os diferentes tipos de nutrientes (hidratos de carbono – amido e açúcares –, proteínas, gorduras, vitaminas, água e sais minerais).
    Os alimentos contêm ainda fibras que não são digeríveis e que se deslocam através do trato digestivo sem serem decompostas pelas enzimas. Muitos alimentos contêm fibras solúveis e insolúveis. As fibras solúveis dissolvem-se facilmente na água e, no intestino, adquirem uma textura suave, semelhante a um gel. As fibras insolúveis atravessam os intestinos praticamente inalteradas.

  • O controlo do processo digestivo

    Reguladores hormonais
    As principais hormonas que controlam as funções do aparelho digestivo são produzidas e libertadas por células da mucosa do estômago e do intestino delgado para a corrente sanguínea do trato digestivo, deslocam-se até ao coração e regressam ao aparelho digestivo, onde estimulam a produção de sucos digestivos e provocam o movimento dos órgãos.
    Reguladores nervosos
    Existem dois tipos de nervos que ajudam a controlar as ações do aparelho digestivo:

    • Os nervos extrínsecos (ou externos) ligam os órgãos digestivos ao cérebro;
    • Os nervos intrínsecos (ou internos) formam uma rede muito densa localizada nas paredes do esófago, estômago, intestino delgado e cólon. São chamados a atuar quando as paredes dos órgãos ocos sofrem um estiramento devido à entrada de alimentos. Libertam então uma grande quantidade de substâncias diferentes que aceleram ou retardam a deslocação dos alimentos e a produção de sucos pelos órgãos digestivos.

    Em conjunto, nervos, hormonas, sangue e órgãos do aparelho digestivo desempenham as complexas tarefas de digestão e absorção dos nutrientes contidos nos alimentos sólidos e líquidos que ingerimos quotidianamente.


A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma forma mais grave de refluxo gastro-esofágico um problema comum. O refluxo gastro-esofágico ocorre quando o esfíncter inferior do esófago se abre espontaneamente ou não fecha corretamente, durante períodos de tempo variáveis, e o conteúdo do estômago sobe para o esófago. O refluxo é geralmente ácido, uma vez que os sucos digestivos ácidos se juntam aos alimentos regurgitados. O esófago é o canal que leva os alimentos da boca para o estômago. O esfíncter é um anel muscular na parte inferior do esófago, que funciona como uma válvula entre este e o estômago.
Quando ocorre o refluxo ácido, sente-se o sabor dos alimentos ou do fluido na parte posterior da boca. Quando o ácido gástrico refluído toca o revestimento do esófago, pode provocar uma sensação de ardor no peito ou na garganta a que se chama azia. O refluxo ocasional é comum e não significa necessariamente que se sofra de DRGE. O refluxo persistente que ocorre mais de duas vezes por semana é considerado DRGE e pode acabar por provocar problemas de saúde mais graves. É possível sofrer de DRGE em qualquer idade.
  • Quais são os sintomas do refluxo gastro-esofágico?

    O principal sintoma de DRGE em adultos é a azia frequente, um ardor no peito, atrás do esterno, e no abdómen. É possível ter refluxo sem azia nesse caso os sintomas são tosse seca, sintomas de asma ou dificuldades de deglutição.

  • O que provoca o refluxo gastro-esofágico?

    Não se conhece ainda exatamente a razão pela qual algumas pessoas desenvolvem refluxo. No entanto, os estudos mostram que, em pessoas com refluxo e um funcionamento deficiente do esfincter o resto do esófago continua a funcionar. Alterações anatómicas como uma hérnia de hiato podem também contribuir para a ocorrência do refluxo. Este tipo de hérnia surge quando a parte superior do estômago e o esfíncter esofágico se movem para cima do diafragma. Normalmente, o diafragma ajuda o esfíncter esofágico a impedir o ácido de subir para o esófago. Quando existe uma hérnia de hiato, o refluxo ácido pode ocorrer mais facilmente. A hérnia de hiato pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e é muito frequente em pessoas sem outros problemas de saúde, com mais de 50 anos. A maior parte das vezes, a hérnia de hiato não apresenta sintomas.
    Outros fatores que podem contribuir para a DRGE:

    • obesidade
    • gravidez
    • tabaco

    • Alimentos comuns que podem agravar os sintomas de refluxo:

    • citrinos
    • chocolate
    • bebidas com cafeína ou álcool
    • alimentos gordos e fritos
    • alho e cebola
    • aromas de hortelã
    • alimentos picantes
    • alimentos à base de tomate (molhos, pizza, etc.)

  • Como se trata o refluxo gastro-esofágico?

    As pessoas que apresentam sintomas de refluxo e utilizaram antiácidos ou outros medicamentos para combater o refluxo durante mais de 2 semanas, devem consultar o seu médico. Este poderá encaminhá-las para um médico gastroenterologista, um especialista em doenças do estômago e dos intestinos. Consoante a gravidade da doença, o tratamento pode envolver um ou mais dos seguintes procedimentos: alterações de estilo de vida, medicação ou cirurgia.

  • Alterações de estilo de vida

    • Deixar de fumar, se for caso disso.
    • Evitar alimentos e bebidas que agravam os sintomas.
    • Perder peso, se for caso disso.
    • Fazer refeições pequenas e frequentes.
    • Não usar roupas demasiado justas.
    • Evitar ir para a cama nas 3 horas seguintes a uma refeição.
    • Levantar a cabeceira da cama 15-20 centímetros, através da elevação dos respetivos pés – não basta utilizar apenas almofadas adicionais.

  • Medicação

    O médico pode recomendar antiácidos ou medicamentos que interrompem a produção de ácido ou que ajudam os músculos que esvaziam o estômago. Embora alguns destes medicamentos não necessitem de receita médica, só devem ser tomados por indicação do médico.

  • E se os sintomas persistirem?

    Se os sintomas não melhorarem com as alterações de estilo de vida ou os medicamentos indicados, poderá ser necessário realizar exames adicionais.

    • Radiografia do esófago com bário – Os raios x permitem detetar malformações pontuais, como uma hérnia de hiato e outros problemas estruturais ou anatómicos do esófago. Neste exame, o paciente tem de ingerir uma solução de bário e, em seguida, fazer o exame. Este não deteta irritações ligeiras, mas permite observar estenoses (estreitamentos do esófago) e úlceras.
    • Endoscopia digestiva alta hyperlink
    • PH-metria esofágica – o médico insere um pequeno tubo ou um pequeno dispositivo no esófago, que aí permanece durante 24-48 horas. Enquanto o paciente prossegue as suas atividades normais, o dispositivo regista a quantidade de ácido que sobe para o esófago e o momento em que isso acontece. Este exame pode ser útil se combinado com um registo diário cuidadoso daquilo que o paciente ingere ao longo desse período (quando, o quê e em que quantidade), permitindo ao médico estabelecer correlações entre sintomas e episódios de refluxo. O procedimento pode ser também útil para detetar se certos sintomas respiratórios (tosse, pieira) são provocados pelo refluxo.

    Não existe nenhum exame que permita fazer um diagnóstico exato do refluxo gastro-esofágico e os estudos não revelam de forma consistente a existência de uma correlação direta entre a presença de ácido na parte inferior do esófago e a deterioração do respetivo revestimento.

    Cirurgia
    A cirurgia é uma opção quando nem as alterações de estilo de vida nem a medicação conseguem controlar os sintomas de DRGE.
    A fundoplicatura é o tratamento cirúrgico habitual para a DRGE. Utiliza-se, normalmente, um tipo específico deste processo, a chamada fundoplicatura de Nissen. Durante este procedimento, a parte superior do estômago é enrolada em torno do EIE para reforçar o esfíncter, prevenir o refluxo ácido e reparar uma hérnia de hiato. A fundoplicatura de Nissen pode ser realizada utilizando um laparoscópio, um instrumento que é inserido através de incisões mínimas no abdómen.

  • Quais são as consequências, a longo prazo, do refluxo gastro-esofágico?

    A DRGE crónica que não é tratada pode provocar complicações graves. A inflamação do esófago causada pelo refluxo de ácido gástrico pode danificar o seu revestimento e provocar sangramento ou úlceras – também designada por esofagite. As cicatrizes decorrentes das agressões aos tecidos podem provocar estenose – estreitamento do esófago – dificultando a deglutição. Algumas pessoas desenvolvem o chamado esófago de Barrett, em que as células do revestimento do esófago adquirem uma coloração e morfologia anómalas. Com o tempo, essas células podem tornar-se cancerígenas e o carcinoma do esófago é frequentemente fatal. As pessoas que sofrem de DRGE devem ter acompanhamento médico.
    Os estudos demonstram que a DRGE pode agravar ou contribuir para doenças como a asma, a tosse crónica e a fibrose pulmonar.


    A RETER:


  • A azia frequente, também chamada de indigestão ácida, é o sintoma mais comum da DRGE em adultos. Uma pessoa que tenha azia duas ou mais vezes por semana poderá sofrer de DRGE.
  • É contudo possível ter DRGE sem sofrer de azia. Os sintomas podem incluir tosse seca, sintomas de asma ou dificuldades de deglutição.
  • As pessoas que utilizam antiácidos durante mais de 2 semanas, devem consultar o seu médico. A maior parte dos médicos pode tratar a DRGE ou encaminhar o paciente para um médico gastroenterologista, um especialista em doenças do estômago e dos intestinos.
  • Os médicos recomendam, normalmente, alterações de estilo de vida e de dieta para aliviar os sintomas de DRGE. Muitas pessoas que sofrem de DRGE precisam também de medicação. A cirurgia poderá ser considerada como opção de tratamento.
  • A maior parte dos bebés com RGE mostram-se perfeitamente saudáveis, embora possam cuspir ou vomitar com frequência, e ultrapassam geralmente este problema por altura do primeiro aniversário. O refluxo que continua após o primeiro ano de idade pode ser DRGE.

O Síndrome do Cólon Irritável (SCI) é um distúrbio gastrointestinal funcional, o que significa que é um problema provocado por alterações no funcionamento do trato gastrointestinal (ou tubo digestivo). As pessoas que sofrem deste tipo de perturbações têm sintomas frequentes, embora o trato gastrointestinal não sofra alterações estruturais. A SCI não é uma doença, mas sim um conjunto de sintomas que ocorrem em simultâneo. Os sintomas mais comuns da SCI são dor ou desconforto abdominal (muitas vezes referidos como cólicas), diarreia, obstipação (prisão de ventre) ou ambos. A SCI designava-se, anteriormente, por colite, colite mucosa, cólon espástico, cólon nervoso e intestino espástico. O nome foi alterado para refletir o entendimento de que a síndrome tem causas físicas e mentais, não sendo um produto da imaginação do paciente.
A SCI é diagnosticada quando há queixas de dor ou desconforto abdominal pelo menos três vezes por mês nos últimos 3 meses, sem outra doença ou lesão que possa explicar essa dor. A dor ou desconforto provocado pela SCI pode ocorrer com uma mudança na frequência ou na consistência das evacuações ou pode ser aliviada por uma evacuação.
  • O Síndrome do Cólon Irritável é uma afetação comum?

    Estima-se que o Síndrome do Cólon Irritável afete 3-20 por cento da população, com a maioria dos estudos a apontarem para 10-15 por cento. No entanto, menos de um terço das pessoas afetadas procuram o médico. A SCI afeta cerca de duas vezes mais mulheres do que homens e é mais frequente em pessoas com menos de 45 anos.

  • Quais são os sintomas do Síndrome do Cólon Irritável?

    Os sintomas do Síndrome do Cólon Irritável incluem dor ou desconforto abdominal e alterações do trânsito intestinal. Para se enquadrarem na definição do Síndrome do Cólon Irritável a dor ou desconforto abdominal deve estar associado a dois dos três sintomas seguintes:

    • começa com movimentos intestinais que ocorrem com maior ou menor frequência do que o habitual;
    • começa com fezes que parecem mais moles e líquidas ou mais duras e difíceis de evacuar do que o habitual;
    • melhora com a evacuação.

    • Outros sintomas do Síndrome do Cólon Irritável podem incluir:

    • diarreia – fezes moles ou líquidas três ou mais vezes por dia e sensação de urgência para evacuar;
    • obstipação – fezes duras e secas, três ou menos evacuações por semana ou esforço para evacuar;
    • sensação de evacuação incompleta;
    • muco nas fezes (um líquido claro produzido pelos intestinos que reveste e protege os tecidos do trato gastrointestinal);
    • distensão (inchaço) abdominal.

    Os sintomas podem ocorrer frequentemente após as refeições. Para se enquadrarem na definição do Sindrome do Colon Irritavel, devem ocorrer pelo menos 3 dias por mês.

  • O que provoca o Síndrome do Cólon Irritável?

    As causas do Síndrome do Cólon Irritável não são bem conhecidas. Os estudos indicam que uma combinação de problemas físicos e mentais poderá estar na origem da síndrome. As causas possíveis do Síndrome do Cólon Irritável incluem:

    • Problemas de transmissão de sinais entre o cérebro e o aparelho digestivo. O funcionamento dos intestinos delgado e grosso é controlado pelos sinais transmitidos entre o cérebro e os nervos respetivos. Problemas na transmissão destes sinais podem provocar sintomas do Síndrome do Cólon Irritável, tais como alterações no trânsito intestinal e dor ou desconforto abdominal.
    • Problemas de mobilidade gastrointestinal. As pessoas que sofrem de do Síndrome do Cólon Irritável podem não apresentar uma mobilidade normal do cólon. Uma mobilidade lenta pode conduzir a obstipação e uma mobilidade rápida pode provocar diarreia. Os espasmos, ou contrações musculares súbitas, involuntárias e convulsivas, podem provocar dor abdominal. Algumas pessoas com o Síndrome do Cólon Irritável sofrem também de hiper-reatividade, um excesso de contrações do intestino em resposta ao stress ou à ingestão de alimentos.
    • Hipersensibilidade. As pessoas com esta síndrome têm um limiar mais baixo de resistência à dor provocada pela distensão do intestino, devido a flatulência (gases) ou fezes, do que as pessoas que não sofrem do Síndrome do Cólon Irritável . É possível que o cérebro processe os sinais de dor provenientes do intestino de forma diferente em pessoas afetadas pela síndrome.
    • Problemas de saúde mental. Problemas mentais ou psicológicos, como síndrome do pânico, ansiedade, depressão e stress pós-traumático, são comuns em pessoas com o Síndrome do Cólon Irritável . A ligação entre estas perturbações e o desenvolvimento do Síndrome do Cólon Irritável não é clara. É também frequente em pessoas com um passado de agressão física ou sexual. Os estudos apontam para que as pessoas que sofreram agressões tendem a manifestar stress psicológico através de sintomas físicos.
    • Gastroenterite bacteriana. Algumas pessoas que sofrem de gastroenterite bacteriana (uma infeção ou irritação do estômago e dos intestinos provocada por bactérias) acabam por desenvolver o Síndrome do Cólon Irritável. Não se conhece a razão pela qual isso acontece apenas em algumas pessoas e não noutras, embora os problemas psicológicos e as anomalias no revestimento do trato gastrointestinal possam ser fatores.
    • Sobrecrescimento bacteriano no intestino delgado (SIBO). Normalmente, as bactérias que vivem no intestino delgado são em número reduzido. A SIBO corresponde a um aumento desse número ou a uma alteração no tipo de bactérias presentes. Estas bactérias podem produzir um excesso de gases e podem também provocar diarreia e perda de peso. Alguns investigadores consideram que a SIBO pode provocar o Síndrome do Cólon Irritável, e alguns estudos têm mostrado que os antibióticos são eficazes no tratamento do Síndrome do Cólon Irritavel . No entanto, tais estudos são ainda pouco significativos e será necessário prosseguir a investigação para estabelecer uma ligação entre o SIBO e o Síndrome do Cólon Irritável.
    • Substâncias químicas produzidas pelo organismo. As pessoas que sofrem do Síndrome do Cólon Irritável apresentam alterações nos níveis dos neurotransmissores (as substâncias químicas que transmitem sinais nervosos) e das hormonas gastrointestinais. As mulheres mais jovens com esta síndrome sofrem geralmente um agravamento dos sintomas durante o período menstrual e as mulheres que se encontram na pós-menopausa têm menos sintomas em comparação com as mulheres em idade fértil. Estas conclusões sugerem que as hormonas reprodutivas poderão agravar os sintomas do Síndrome do Cólon Irritável.
    • Genética. Não é claro se o Síndrome do Cólon Irritável tem origem genética. Os estudos têm mostrado que o Síndrome do Cólon Irritável é mais comum em pessoas que têm familiares com um historial de problemas gastrointestinais. No entanto, a causa pode ser ambiental ou resultado de uma maior sensibilização para os sintomas gastrointestinais.
    • Sensibilidade alimentar. Muitas pessoas com o Síndrome do Cólon Irritável referem que determinados alimentos e bebidas desencadeiam sintomas, como os alimentos ricos em hidratos de carbono, os alimentos condimentados ou gordos, o café e o álcool. No entanto, as pessoas com sensibilidade alimentar não têm normalmente sinais clínicos de alergia alimentar. Os investigadores consideram que os sintomas podem resultar de uma má absorção dos açúcares ou dos ácidos biliares, que ajudam a decompor as gorduras e a eliminar os resíduos no organismo.

  • Como se diagnostica o Síndrome do Cólon Irritável?

    Para diagnosticar a síndrome, o médico irá realizar um exame físico e fazer uma história médica completa. Esta inclui perguntas relativas a sintomas, história familiar de distúrbios gastrointestinais, infeções recentes, medicamentação e eventuais acontecimentos stressantes associados ao aparecimento de sintomas. Normalmente, não são necessários outros exames, embora o médico possa pedir uma análise ao sangue para despistar outros problemas. Poderão ser necessários outros exames de diagnóstico em função dos resultados da análise ao sangue e para pessoas que apresentam também outros sinais, tais como:

    • febre;
    • sangramento retal;
    • perda de peso;
    • anemia – redução do número de glóbulos vermelhos, que impede o organismo de receber oxigénio suficiente;
    • história familiar de carcinoma do cólon, doença do cólon irritável (distúrbios de longa duração que provocam irritação e úlceras ou feridas no trato gastrointestinal) ou doença celíaca (doença imunitária em que existe intolerância ao glúten, uma proteína que se encontra em certos cereais – trigo, centeio e cevada -, porque este afeta o revestimento do intestino delgado, impedindo a absorção de nutrientes).

    Os outros exames de diagnóstico podem incluir: análise às fezes, clister opaco e sigmoidoscopia flexível ou colonoscopia. A colonoscopia também poderá ser recomendada para pessoas com mais de 50 anos, para despistar o carcinoma de cólon.

    Análises às fezes. A amostra de fezes é recolhida num recipiente apropriado e enviada para um laboratório para análise. O médico poderá fazer também um exame clínico de toque retal, eventualmente durante o exame físico, para verificar se há sangue nas fezes. As análises às fezes podem revelar a presença de parasitas ou de sangue.

    Clister Opaco. Trata-se de um exame de Raios X que permite visualizar o interior do intestino grosso. O exame é realizado no consultório por um radiologista, um médico especialista em imagens médicas. O paciente recebe normalmente um conjunto de instruções escritas para preparação do exame em casa, que poderá incluir uma dieta líquida durante 1 a 3 dias antes. Poderá ser igualmente recomendado o uso de um laxante ou de um clister algum tempo antes do exame.
    Durante o exame, o paciente deita-se numa marquesa, enquanto o médico lhe insere um tubo flexível no ânus, através do qual é introduzida uma solução de bário no intestino. O bário permite revelar eventuais problemas mais claramente aos Raios X.
    Nos dias seguintes, os vestígios de bário no intestino poderão dar uma coloração esbranquiçada às fezes. Os clisteres e as evacuações frequentes podem provocar irritação no ânus. O médico dará instruções específicas sobre o que comer e beber após o exame.

    Sigmoidoscopia flexível e colonoscopia. Estes exames são semelhantes, mas a colonoscopia é utilizada para visualizar o reto e todo o cólon, enquanto a sigmoidoscopia flexível permite ver apenas o reto e a parte inferior do cólon. Ambos os exames são realizados no hospital ou no consultório por um médico gastroenterologista, um especialista em doenças do aparelho digestivo. O paciente recebe um conjunto de instruções escritas de preparação do exame em casa, que poderá incluir uma dieta líquida durante 1 a 3 dias antes. Na véspera à noite, poderá ser necessário tomar um laxante. Um ou mais clisteres podem também ser necessários na noite anterior e cerca de 2 horas antes do exame.
    Na maioria dos casos, uma anestesia ligeira e, eventualmente, um analgésico, ajudam o paciente a relaxar. Em ambos os exames, o paciente deita-se numa marquesa, enquanto o médico lhe insere um tubo flexível no ânus. Uma pequena câmara acoplada ao tubo envia uma imagem de vídeo do revestimento intestinal para um ecrã de computador. O exame pode revelar eventuais problemas no trato gastrointestinal inferior.
    O gastroenterologista pode também efetuar uma biopsia, um procedimento que consiste em retirar um pedaço do revestimento intestinal para posterior análise. Este procedimento é absolutamente indolor. A colheita de tecido é em seguida analisada em laboratório por um anatomopatologista, um médico especializado no diagnóstico de doenças.


  • Qual é o tratamento do Síndrome do Cólon Irritável?

    Embora não haja cura para a SCI, os sintomas podem ser tratados com uma combinação dos seguintes procedimentos: 1. alterações nos hábitos alimentares; 2. medicamentação; 3. probióticos; 4. terapias de saúde mental.

    1. Alterações nos hábitos alimentares
    Refeições abundantes podem provocar cólicas e diarreia, por isso, a ingestão de refeições mais pequenas com maior frequência, ou de porções menores, pode atenuar os sintomas do Síndrome do Cólon Irritável. Ingerir refeições pobres em gorduras e ricas em hidratos de carbono, como massas, arroz, pão e cereais integrais, frutas e vegetais, também poderá ajudar.
    Certos alimentos e bebidas podem provocar sintomas de Síndrome do Cólon Irritável em algumas pessoas:

    • alimentos ricos em gorduras
    • produtos lácteos
    • bebidas com álcool ou cafeína
    • bebidas com grandes quantidades de edulcorantes artificiais
    • alimentos que podem provocar flatulência, como feijão ou couve

    As pessoas que sofrem de Síndrome do Cólon Irritável deverão reduzir ou evitar a ingestão destes alimentos. Manter um diário alimentar é uma boa maneira de controlar os alimentos que provocam sintomas, para que possam ser excluídos ou reduzidos na dieta.
    As fibras alimentares podem reduzir a obstipação em pessoas com Síndrome do Cólon Irritável, mas podem não contribuir para atenuar a dor. As fibras ajudam a manter as fezes moles, facilitando o trânsito intestinal. Recomenda-se o consumo de 20 a 35 gramas de fibra por dia, no caso dos adultos. As fibras podem, contudo, provocar flatulência e desencadear sintomas em algumas pessoas com Síndrome do Cólon Irritável. O aumento gradual da ingestão de fibras (2 a 3 gramas por dia) poderá ajudar a reduzir o risco de aumento da flatulência ou da distensão abdominal.

    2. Medicamentação
    O médico indicará qual a medicamentação mais adequada aos sintomas do paciente.

    • Suplementos de fibras. Podem ser recomendados para aliviar a obstipação, quando o aumento do consumo de fibras alimentares se revela ineficaz.
    • Laxantes. A obstipação ou prisão de ventre pode ser tratada com medicamentos laxantes. Estes funcionam de maneiras diferentes, e o médico fornecerá informações sobre o tipo mais adequado em cada caso.
    • Antidiarreicos. Certas substâncias têm a capacidade de reduzir a diarreia, apesar de não reduzirem a dor, a distensão abdominal, ou outros sintomas. Estes medicamentos atuam, diminuindo a frequência das evacuações e melhorando a consistência das fezes através da redução do movimento das fezes ao longo do cólon.
    • Antiespasmódicos. Estes medicamentos ajudam a controlar os espasmos musculares do cólon e a reduzir a dor abdominal.
    • Antidepressivos. Em doses baixas, podem ajudar a aliviar os sintomas incluindo a dor abdominal.
    • O antibiótico rifaximina pode reduzir a distensão abdominal, ao tratar a SIBO. Porém, o uso de antibióticos continua a ser controverso e será necessário prosseguir a investigação nesta matéria.

    3. Probióticos
    Os probióticos são microrganismos vivos, geralmente bactérias, semelhantes aos que normalmente se encontram no trato gastrointestinal. Os estudos indicam que os probióticos, especificamente as bifidobactérias e determinadas combinações de probióticos, melhoram os sintomas, quando ingeridas em quantidades adequadas. É, todavia, necessário prosseguir a investigação. Os probióticos encontram-se sob a forma de suplementos alimentares (cápsulas, comprimidos e pós) e em alguns alimentos, como o iogurte. O médico prestará todas as informações sobre o tipo e quantidade de probióticos indicados para melhorar os sintomas.

    4. Terapias de saúde mental
    As seguintes terapias podem ajudar a melhorar os sintomas do Síndrome do Cólon Irritável relacionados com problemas de saúde mental:

    • Psicoterapia. Falar com um psicoterapeuta pode ajudar a reduzir o stress e a melhorar os sintomas do Síndrome do Cólon Irritável.
    • Hipnoterapia. Nesta técnica, o terapeuta utiliza a hipnose para ajudar a pessoa a relaxar num estado próximo do transe. Este tipo de terapia pode ajudar o paciente a relaxar os músculos do cólon.
    • Técnicas de meditação. Permitem concentrar a atenção nas sensações que ocorrem no momento presente e evitar preocupações sobre o significado dessas sensações.

  • Que outro tipo de afeções podem estar associadas ao Síndrome do Cólon Irritável?

    As pessoas que sofrem de SCI apresentam frequentemente outras afeções, gastrointestinais ou não. Afeções gastrointestinais como a doença do refluxo gastro-esofágico e a dispepsia são mais comuns em pessoas com o Síndrome do Cólon Irritável do que entre a população em geral. A doença de refluxo gastro-esofágico é uma afeção em que o conteúdo do estômago regressa ao esófago – o canal que liga a boca ao estômago – porque o músculo entre o esófago e o estômago é fraco ou relaxa quando não deve. A dispepsia, ou indigestão, é o desconforto abdominal superior, que ocorre com frequência após as refeições. A dispepsia pode ser acompanhada de uma sensação de enfartamento, distensão abdominal, náuseas ou outros sintomas gastrointestinais.
    As afeções não gastrointestinais mais frequentes em pessoas com o Síndrome do Cólon Irritável incluem:

    • síndrome de fadiga crónica: uma doença que provoca um cansaço extremo, de longa duração, limitando a capacidade para realizar as atividades diárias normais;
    • dor pélvica crónica;
    • distúrbios da articulação temporo-mandibular: problemas nos músculos e articulações da mastigação que ligam a mandíbula ao crânio;
    • depressão;
    • ansiedade;
    • doenças psicossomáticas: dor crónica ou outros sintomas sem causa física que se considera serem provocados por problemas psicológicos.

  • Até que ponto o stress afeta o Síndrome do Cólon Irritável?

    O stress pode estimular espasmos do cólon em pessoas que sofrem do Síndrome do Cólon Irritável. O cólon tem muitas ligações nervosas ao cérebro. Estes nervos controlam as contrações normais do cólon e provocam desconforto abdominal em momentos de stresse. Em pessoas com o Síndrome do Cólon Irritável, o cólon pode ser excessivamente sensível a conflitos ou stress, mesmo de baixa intensidade. O stress agudiza a perceção de sensações oriundas do cólon e os sintomas do Síndrome do Cólon Irritável podem também contribuir para o aumento do nível de stress. Algumas opções para gerir o stress incluem:

    • terapias de redução de stress e de relaxamento, como a meditação;
    • aconselhamento e apoio;
    • exercício regular, como caminhada ou yoga;
    • minimização de situações stressantes;
    • sono suficiente.



A RETER:


  • O Síndrome do Cólon Irritável é um distúrbio gastrointestinal funcional, o que significa que é um problema provocado por alterações no funcionamento do tubo digestivo. As pessoas que sofrem deste tipo de perturbações têm sintomas frequentes, embora o trato gastrointestinal não sofra alterações estruturais.
  • O Síndrome do Cólon Irritável não é uma doença, mas sim um conjunto de sintomas que ocorrem em simultâneo.
  • Estima-se que afete 3-20 por cento da população, com a maioria dos estudos a apontarem para 10-15 por cento. No entanto, menos de um terço das pessoas afetadas consultam o médico.
  • Os sintomas do Síndrome do Cólon Irritavel incluem dor ou desconforto abdominal e alterações do trânsito intestinal. Outros sintomas podem incluir:
    • diarreia
    • obstipação (prisão de ventre)
    • sensação de que a evacuação é incompleta
    • muco nas fezes
    • distensão (inchaço) abdominal
  • As causas do Síndrome do Cólon Irritável não são bem conhecidas. Os estudos indicam que uma combinação de problemas físicos e mentais poderá estar na sua origem.
  • Para diagnosticar o Síndrome do Cólon Irritável, o médico irá realizar um exame físico e fazer uma história médica completa. Esta inclui perguntas relativas a sintomas, história familiar de distúrbios gastrointestinais, infeções recentes, medicamentação e eventuais acontecimentos stressantes associados ao aparecimento de sintomas.
  • Embora não haja cura para o Síndrome do Cólon Irritável , os sintomas podem ser tratados com uma combinação dos seguintes procedimentos:
    • alterações nos hábitos alimentares
    • medicamentos
    • probióticos
    • terapias de saúde mental

Um pólipo do cólon é uma excrescência na superfície interna do intestino grosso (ou cólon). É possível ter mais do que um pólipo e cada um deles pode ser mais ou menos volumoso (plano ou saliente).
O intestino grosso é o canal longo e oco que se encontra no final do tubo digestivo e que absorve a água existente nas fezes, alterando-as do estado líquido para o sólido. As fezes são os resíduos do processo de digestão que passam através do reto e do ânus numa evacuação.
  • Os pólipos do cólon são cancerosos?

    Alguns pólipos do cólon são benignos, mas certos tipos podem ser cancerosos ou potencialmente cancerosos. Os pólipos planos costumam ser menores e mais difíceis de detetar e têm maior probabilidade de ser cancerosos do que os pólipos salientes. Os pólipos são normalmente removidos durante uma colonoscopia – um dos exames médicos utilizados para verificar a existência de pólipos no cólon.

  • Qual a origem dos pólipos do cólon?

    Qualquer pessoa pode ter pólipos no cólon, embora certas pessoas sejam mais propensas do que outras. A probabilidade de ter pólipos aumenta se:

    • tem idade igual ou superior a 50 anos;
    • já teve pólipos anteriormente;
    • alguém da sua família teve pólipos;
    • alguém da sua família teve cancro do cólon
    • teve cancro do útero ou do ovário antes dos 50 anos.


    • A probabilidade de ter pólipos aumenta igualmente se:

    • ingerir muitos alimentos gordos;
    • fumar;
    • beber álcool;
    • não fizer exercício;
    • tiver excesso de peso.

  • Quais são os sintomas dos pólipos do cólon?

    A maioria das pessoas com pólipos no cólon não apresenta quaisquer sintomas. Frequentemente, as pessoas não sabem que têm um pólipo até ao momento em que o médico o encontra durante um exame de rotina ou quando anda à procura de outra coisa.
    No entanto, algumas pessoas podem apresentar sintomas, tais como:

    • sangramento do ânus. O ânus é a abertura na extremidade do tubo digestivo por onde as fezes saem do corpo. Poderá notar vestígios de sangue na sua roupa interior ou no papel higiénico depois da evacuação;
    • prisão de ventre ou diarreia durante mais de uma semana;
    • sangue nas fezes. A presença de sangue pode tornar as fezes escuras ou revelar-se sob a forma de laivos vermelhos.


    • Se tiver algum destes sintomas, consulte o seu médico.

  • Como se diagnosticam os pólipos do cólon?

    O médico pode recorrer a um ou mais exames para verificar a existência de pólipos no cólon:

    • Colonoscopia: antes de iniciar o exame, o médico administra um sedativo ligeiro. Este exame é semelhante à sigmoidoscopia, mas permite analisar todo o intestino grosso com um tubo longo e flexível equipado com uma câmara que mostra num ecrã as imagens obtidas. O tubo está também equipado com um instrumento que permite remover os pólipos detetados. Geralmente, o médico procede à remoção dos pólipos durante a colonoscopia.
    • Sigmoidoscopia: o médico introduz no reto um tubo fino e flexível com uma luz na ponta (sigmoidoscópio), que lhe permite analisar o último terço do intestino grosso (sigmóide).
    • Tomografia Axial Computadorizada (TAC): neste exame, também designado por colonoscopia virtual, o médico introduz um tubo fino e flexível no reto. Um aparelho associando raios-x e informática cria imagens do intestino grosso que podem ser visualizadas num ecrã A TAC demora menos tempo do que a colonoscopia, porque os pólipos não são removidos durante o procedimento. Se o exame revelar a existência de pólipos, será necessário efetuar uma colonoscopia para a sua remoção.
    • Clister opaco: o médico introduz uma solução de bário no reto, fazendo em seguida um raios-x do intestino grosso. O bário torna o intestino branco nas radiografias, enquanto os pólipos permanecem escuros, tornando-se assim fáceis de detetar. Este método é relativamente pouco sensível quase caiu em desuso.
    • Análise às fezes: o médico solicita uma amostra de fezes num recipiente específico para o efeito. As fezes são analisadas em laboratório para detetar indícios de carcinoma, tais como alterações no ADN (método muito dispendioso e experimental) ou sangue (método corrente).

  • Quando se deve fazer a despistagem de pólipos do cólon?

    Se tiver 50 anos ou mais, se apresentar sintomas ou se alguém da sua família tiver tido pólipos ou carcinoma do cólon, fale com o seu médico para fazer uma despistagem.

  • Qual o tratamento dos pólipos do cólon?

    Na maior parte dos casos, o médico remove os pólipos do cólon durante a colonoscopia. O material assim extraído é então analisado para verificar se é canceroso.
    Se já teve pólipos do cólon, o médico irá sugerir-lhe que faça exames regularmente.

  • Como evitar os pólipos do cólon?

    Não se conhece uma maneira segura de evitar os pólipos do cólon, mas é possível reduzir o risco se:

    • aumentar o consumo de frutas e legumes e reduzir o de alimentos gordos;
    • não fumar;
    • evitar o álcool;
    • fizer exercício vários dias por semana;
    • perder peso, se o tiver em excesso.

    • A ingestão de mais cálcio poderá também reduzir o risco de desenvolver pólipos. Alguns alimentos ricos em cálcio são o leite, o queijo, o iogurte e os brócolos.
      Uma pequena dose diária de aspirina poderá igualmente ajudar a prevenir a ocorrência de pólipos. Fale com o seu médico antes de iniciar qualquer medicação.



    A RETER:


  • Um pólipo do cólon é uma excrescência na superfície interna do intestino grosso (ou cólon).
  • Os pólipos do cólon podem ser planos ou salientes.
  • Alguns pólipos são benignos, mas certos tipos podem ser cancerosos ou potencialmente cancerosos.
  • Os pólipos planos costumam ser menores e mais difíceis de detetar e têm maior probabilidade de ser cancerosos do que os pólipos salientes.
  • A maioria das pessoas com pólipos no cólon não apresenta quaisquer sintomas.
  • Os sintomas podem incluir prisão de ventre ou diarreia durante mais de uma semana ou sangue na roupa interior, no papel higiénico ou nas fezes.
  • O médico remove a maior parte dos pólipos, que são analisados para despistagem de carcinoma.
  • Se tiver 50 anos ou mais, se apresentar sintomas ou se alguém da sua família tiver tido pólipos ou carcinoma do cólon, fale com o seu médico para fazer uma despistagem.

A colite ulcerosa é uma doença crónica, ou seja, uma doença de longa duração que provoca inflamação e feridas, ou úlceras, no revestimento interior do intestino grosso (o qual inclui o cólon e o reto, a parte final do cólon).
A colite é uma das duas principais formas da doença inflamatória crónica do trato gastrointestinal, designada por Doença Inflamatória do Intestino. A outra forma é conhecida por doença de Crohn.
Normalmente, o intestino grosso absorve a água existente nas fezes, alterando-as do estado líquido para o sólido. Na colite, a inflamação leva à perda do revestimento do cólon, provocando hemorragia, produção de pus, diarreia e desconforto abdominal.
  • O que provoca a colite ulcerosa?

    A causa da colite é desconhecida, embora existam diversas teorias. As pessoas com colite apresentam deficiências no sistema imunitária, mas não é claro se estes problemas são uma causa ou um resultado da doença. O sistema imunitário protege as pessoas contra as infeções, através da identificação e destruição de bactérias, vírus e outras substâncias estranhas potencialmente prejudiciais. Julga-se que na colite o sistema imunitário reage anormalmente a bactérias existentes no trato digestivo. A doença parece ter uma componente hereditária e os estudos têm mostrado que certas deficiências genéticas são mais frequentes em pessoas que sofrem da doença.
    A colite não é provocada por stress emocional, mas a tensão que a doença provoca pode contribuir para o agravamento dos sintomas. Além disso, embora a sensibilidade a certos alimentos não provoque colite, em algumas pessoas poderá desencadear sintomas.

  • Quais são os sintomas da colite ulcerosa?

    Os sintomas mais comuns de colite são desconforto abdominal e diarreia com sangue ou pus. Outros sintomas incluem:

    • anemia
    • fadiga
    • febre
    • perda de peso
    • perda de apetite
    • sangramento retal
    • perda de fluidos corporais e nutrientes
    • lesões da pele
    • fraco crescimento em crianças

    A maior parte das pessoas diagnosticadas com colite tem sintomas leves a moderados. Cerca de 10 por cento têm sintomas graves, tais como febres frequentes, diarreia com sangue, náuseas e cólicas abdominais intensas. A colite pode também provocar problemas como dores nas articulações, irritação ocular, cálculos renais, doenças de fígado e osteoporose. Os cientistas não sabem explicar por que razão ocorrem estes problemas, mas julgam que podem ser o resultado de uma inflamação provocada pelo sistema imunitário. Alguns destes problemas desaparecem quando a colite é tratada.


  • Quem desenvolve colite ulcerosa?

    Embora a colite possa ocorrer em pessoas de qualquer idade, desenvolve-se geralmente entre os 15 e os 30 anos e, menos frequentemente, entre os 60 e os 80. A doença afeta igualmente os dois sexos. As pessoas com um membro da família ou parente de primeiro grau com uma Doença Inflamatória Intestinal têm um risco acrescido de desenvolver colite, o mesmo acontecendo com as pessoas de raça branca ou de ascendência judaica.

  • Como se diagnostica a colite ulcerosa?

    A colite ulcerosa pode ser difícil de diagnosticar, porque os sintomas são semelhantes aos de outros distúrbios intestinais e à doença de Crohn. Esta última difere da colite, porque provoca uma inflamação mais profunda na parede intestinal e pode ocorrer noutras zonas do aparelho digestivo, incluindo o intestino delgado, a boca, o esófago e o estômago.
    As pessoas com suspeita de colite devem ser encaminhadas para um gastroenterologista, um médico especializado em doenças do aparelho digestivo. O exame físico e a história médica são geralmente os primeiros passos no diagnóstico da doença, seguidos de um ou mais dos seguintes exames e procedimentos:

    • Análises ao sangue – Podem revelar uma contagem elevada de glóbulos brancos, o que é sinal de inflamação. Podem também detetar anemia, que pode ser provocada por hemorragia do cólon ou do reto.
    • Análise às fezes – Podem também revelar uma contagem elevada de glóbulos brancos, indicadora de colite ou outra Doença Inflamatória Intestinal. Permitem ainda detetar sangramento ou infeção no cólon ou reto provocados por bactérias, vírus ou parasitas.
    • Sigmoidoscopia flexível e colonoscopia – Estes exames constituem o método mais rigoroso para diagnosticar a colite e excluir outras possíveis doenças, como a doença de Crohn, a doença diverticular ou o cancro do cólon.
    • Tomografia Axial Computorizada (TAC) – Este exame não invasivo permite localizar com precisão as partes mais afetadas do intestino, definir zonas de aperto. Não permite no entanto a execução de biopsias.
    • Clister Opaco – É um exame não invasivo que permitem sobretudo definir com muita precisão as zonas de aperto.

  • Como se trata a colite ulcerosa?

    O tratamento da colite depende da gravidade da doença e respetivos sintomas. Estes variam de caso para caso, pelo que o tratamento tem de ser ajustado a cada indivíduo.

    Medicação
    Embora nenhuma medicação consiga curar a colite, diversos medicamentos permitem atenuar os sintomas. Os objetivos da terapia medicamentosa são a indução e a manutenção de períodos em que os sintomas desaparecem durante meses ou até mesmo anos, assim como a melhoria da qualidade de vida. Muitas pessoas com colite requerem terapia medicamentosa por tempo indefinido. O tipo de medicação depende da gravidade dos sintomas.
    Podem ainda ser receitados medicamentos para reduzir o stress emocional ou para aliviar a dor, reduzir a diarreia ou combater a infeção.

    Hospitalização
    Por vezes, os sintomas são suficientemente graves para justificar a hospitalização. Por exemplo, uma pessoa pode ter hemorragias graves ou diarreia que provoca desidratação. Nestes casos, deverão ser administrados fluidos por via intravenosa para tratar a diarreia e a perda de sangue, fluidos e sais minerais. As pessoas com sintomatologia mais grave podem necessitar de dieta especial, alimentação por sonda, medicação ou cirurgia.

    Cirurgia
    Cerca de 10 por cento das pessoas com colite acabam por precisar de uma uma cirurgia para remover o reto e parte ou a totalidade do cólon. Este procedimento é por vezes recomendado quando a terapêutica medicamentosa falha, ou se os efeitos colaterais desta puderem pôr em risco a saúde do doente. Outras vezes, recorre-se à cirurgia devido a um sangramento intenso, doença grave, rotura do cólon ou risco de carcinoma. A operação é realizada no hospital por um cirurgião, com recurso a anestesia.
    O tipo de cirurgia recomendado dependerá da gravidade da doença e das necessidades, expectativas e estilo de vida do doente. Este deve procurar obter todas as informações possíveis, conversando com o seu médico e outros profissionais de saúde, assim como com outras pessoas que tenham passado pela mesma experiência.

  • Alimentação, dieta e nutrição

    Alterações na dieta podem ajudar a reduzir os sintomas de colite. A dieta recomendada vai depender dos sintomas do doente, da medicação e das reações aos alimentos. Algumas sugestões de dieta alimentar que podem aliviar os sintomas incluem:

    • refeições menos abundantes
    • evitar refrigerantes
    • preferir alimentos leves
    • evitar alimentos muito ricos em fibras

    • Poderão ser recomendadas vitaminas e suplementos nutricionais às pessoas que sofrem de colite e não absorvem uma quantidade suficiente de nutrientes.

  • A colite ulcerosa aumenta o risco de carcinoma do cólon?

    As pessoas que sofrem de colite têm um risco acrescido de desenvolverem carcinoma do cólon, quando todo o cólon é afetado durante um longo período de tempo. Por exemplo, se apenas o cólon e o reto inferior forem afetados, o risco não é maior do que o de uma pessoa sem colite. Porém, se todo o cólon é afetado, o risco é mais elevado do que o normal. O risco de cancro do cólon aumenta também quando se tem colite durante 8 a 10 anos e continua a aumentar com o tempo. A manutenção eficaz da remissão dos sintomas por tratamento da colite pode reduzir esse risco. A remoção cirúrgica do cólon elimina-o por completo.
    Com a colite, surgem por vezes alterações pré-cancerígenas – chamadas displasias – nas células que revestem o cólon. As pessoas com displasias têm um risco acrescido de carcinoma do cólon. Ao efetuar uma colonoscopia e ao analisar o tecido removido durante estes procedimentos, o médico procurará sinais de displasia.
    As pessoas que tiveram colite ulcerosa em todo o cólon durante pelo menos 8 anos e aquelas que tiveram colite ulcerosa apenas do lado esquerdo do cólon durante 12 a 15 anos têm indicação para fazer uma colonoscopia com biopsia todos os anos ou de 2 em 2 anos, para despistar eventuais displasias. Este procedimento, por si só, não reduz o risco de carcinoma do cólon, mas pode ajudar a identificá-lo precocemente e assim melhorar o prognóstico.


    A RETER:


  • A colite ulcerosa (colite) é uma doença crónica, ou seja, uma doença de longa duração que provoca inflamação e feridas, ou úlceras, no revestimento interior do cólon e do reto.
  • A colite é uma das duas principais formas da doença inflamatória crónica do trato gastrointestinal, designada por doença inflamatória do intestino (DII).
  • Os sintomas mais comuns de colite são desconforto abdominal e diarreia com sangue.
  • A sigmoidoscopia flexível e a colonoscopia constituem o método mais rigoroso para diagnosticar a colite e excluir outras possíveis doenças, tais como a doença de Crohn, a doença diverticular ou o carcinoma do cólon.
  • O tratamento da colite depende da gravidade da doença e respetivos sintomas. Estes variam de caso para caso, pelo que o tratamento tem de ser ajustado a cada indivíduo. O tratamento pode incluir medicação, hospitalização ou cirurgia para remover o reto e parte ou a totalidade do cólon.
  • A maior parte das pessoas com colite nunca chega a desenvolver cancro do cólon, mas há dois fatores que aumentam o risco: a duração da doença e a porção de cólon afetada.

A doença de Crohn é uma doença que provoca inflamação, ou edema, e irritação de qualquer parte do tubo digestivo, também designado por trato gastrointestinal. A zona mais afetada é a parte final do intestino delgado, o chamado íleo.
Na doença de Crohn, a inflamação penetra no revestimento da parte afetada do trato gastrointestinal e o edema decorrente pode provocar dor e diarreia. A inflamação crónica pode produzir tecido cicatricial que se acumula no interior do intestino, criando uma estenose, isto é, um estreitamento que pode retardar o movimento dos alimentos através do intestino, provocando dor ou cólicas.
A doença de Crohn é uma Doença Inflamatória Intestinal a designação geral atribuída às doenças que causam inflamação e irritação dos intestinos. Esta doença pode ser difícil de diagnosticar, porque os seus sintomas são semelhantes a outras perturbações intestinais, como a Colite Ulcerosa e Síndrome do Cólon Irritável (que não é uma doença inflamatória intestinal). Por exemplo, tanto a colite ulcerosa como a doença de Crohn provocam dor abdominal e diarreia.
  • Como se contrai a doença de Crohn?

    A doença de Crohn afeta igualmente homens e mulheres e parece estar presente em algumas famílias. As pessoas afetadas pela doença podem ter um parente (normalmente, um irmão ou irmã) com algum tipo de Doença Inflamatória Intestinal. A doença ocorre em pessoas de todas as idades, mas começa habitualmente entre os 13 e os 30 anos. Os fumadores têm maior probabilidade de a contrair.

  • O que provoca a doença de Crohn?

    As causas da doença são desconhecidas, mas os investigadores consideram que ela resulta de uma reação anormal do sistema imunitário. Normalmente, o sistema imunitário protege as pessoas contra as infeções, identificando e destruindo bactérias, vírus ou outras substâncias estranhas potencialmente prejudiciais. Os investigadores julgam que, na doença de Crohn, o sistema imunitário ataca bactérias, alimentos e outras substâncias que são inofensivos ou até benéficos. Durante este processo, há uma concentração de glóbulos brancos no revestimento do intestino, produzindo uma inflamação crónica e dando origem a úlceras ou outras lesões.
    Os investigadores verificaram que as pessoas com doença de Crohn apresentam níveis elevados de uma proteína produzida pelo sistema imunitário, o chamado fator de necrose tumoral (FNT). No entanto, não se sabe se o aumento dos níveis de FNT e o funcionamento anormal do sistema imunitário são a causa ou o resultado da doença. Os estudos mostram que a inflamação que ocorre no trato gastrointestinal destes doentes envolve vários fatores: património genético, sistema imunitário e ambiente.

  • Quais são os sintomas da doença de Crohn?

    Os sintomas mais comuns da doença de Crohn são a dor abdominal, normalmente na região inferior direita do abdómen, e a diarreia. Podem também ocorrer sangramento retal, perda de peso e febre. A hemorragia pode ser grave e persistente, provocando anemia, isto é, uma redução na quantidade ou na dimensão dos glóbulos vermelhos do sangue, o que significa uma menor quantidade de oxigénio transportada para as células de todo o corpo. A gama e a gravidade dos sintomas variam.

  • Como se diagnostica a doença de Crohn?

    O médico pode diagnosticar a doença de Crohn, realizando um exame físico completo e solicitando diversos exames:

    • Análises de sangue para verificar a existência de uma eventual anemia provocada por hemorragia. Estas análises podem também revelar uma contagem elevada de glóbulos brancos, o que é sinal de inflamação ou infeção algures no corpo.
    • Análises às fezes para despistar outras causas de doenças gastrointestinais, como uma infeção. Estas análises permitem também verificar se há uma hemorragia no intestino.

    • Os exames abaixo referidos são normalmente realizados no em regime ambulatório por um gastroenterologista, um médico especializado em doenças do aparelho digestivo, ou por um radiologista, um médico especializado em imagens médicas. No geral é preciso recorrer a uma combinação de diversos exames.

    • Colonoscopia e Sigmoidoscopia. Este exames são utilizados para ajudar a diagnosticar a doença de Crohn e determinar até que ponto o trato gastrointestinal foi afetado. A colonoscopia é o exame mais utilizado para diagnosticar especificamente a doença de Crohn. A colonoscopia é utilizada para visualizar o íleo, o reto e todo o cólon, enquanto a sigmoidoscopia flexível é usada para ver apenas o cólon menor e o reto.
    • Tomografia Axial Computorizada (TAC). Este exame não invasivo permite localizar com precisão as partes mais afetadas do intestino, definir zonas de aperto e detectar abcessos e fistulas. Não permite no entanto a execução de biopsias.
    • Clister Opaco e Radiografia do Intestino Delgado. São também exames não invasivos que permitem sobretudo definir com muita precisão as zonas de aperto.

  • Quais são as complicações associadas à doença de Crohn?

    A complicação mais comum da doença de Crohn é uma obstrução intestinal provocada pelo espessamento da parede intestinal devido a edema e tecido cicatricial. A doença pode também provocar úlceras que perfuram a zona afectada alastrando para os tecidos circundantes. Estas perfurações, chamadas fístulas, são uma complicação comum, especialmente nas zonas em volta do ânus e do reto, e infetam com frequência. A maior parte das fístulas pode ser tratada através de medicação, mas em alguns casos poderá ser necessário recorrer a cirurgia. Além das fístulas, podem surgir pequenos rasgões, chamados fissuras, no revestimento da membrana mucosa do ânus.
    Algumas complicações da doença de Crohn ocorrem porque a zona afetada do intestino não absorve os nutrientes de forma eficaz, resultando em deficiências de proteínas, calorias e vitaminas.
    As pessoas que sofrem desta doença têm frequentemente anemia, que pode ser provocada pela própria doença ou por uma deficiência em ferro, e pode, por sua vez, provocar fadiga. Nas crianças, a doença de Crohn pode afetar o crescimento normal, dando origem a situações de baixa estatura.
    Estes doentes, particularmente se forem tratados com medicamentos esteroides, podem desenvolver uma debilidade óssea chamada osteoporose.
    Outras complicações incluem artrite, problemas de pele, inflamações nos olhos ou na boca, cálculos renais ou biliares, ou doenças relacionadas com a função hepática.

  • Qual é o tratamento para a doença de Crohn?

    O tratamento pode incluir medicação, cirurgia, suplementos alimentares ou uma combinação destas opções. Os objetivos do tratamento são controlar a inflamação, corrigir deficiências nutricionais e aliviar os sintomas, como a dor abdominal, a diarreia e o sangramento retal. O tratamento depende da localização da doença, da sua gravidade e de eventuais complicações.
    O tratamento pode ajudar a controlar a doença e tornar menos frequentes os seus episódios, mas não existe cura. Estes doentes precisam, normalmente, de cuidados médicos de longa duração e de consultas médicas regulares para acompanhamento da doença. Algumas pessoas têm por vezes longos períodos livres de sintomas, mas não é possível prever quando isso poderá ocorrer ou quando os sintomas irão voltar. Esta variabilidade torna difícil ter a certeza se um tratamento foi eficaz.
    Apesar da necessidade de possíveis hospitalizações e de medicação durante longos períodos de tempo, a maior parte das pessoas afetadas pela doença de Crohn tem uma vida perfeitamente satisfatória, tanto a nível pessoal, como familiar e profissional.

  • Medicação

    Os medicamentos mais utilizados são os seguintes:

    • Anti-inflamatórios – como o nome indica, permitem controlar a inflamação. Os possíveis efeitos secundários incluem náuseas, vómitos, azia, diarreia e dor de cabeça.
    • Corticosteróides – permitem reduzir a inflamação. Podem provocar efeitos secundários graves, incluindo maior suscetibilidade às infeções e osteoporose.
    • Imunosupressores – bloqueiam a reação imunitária que contribui para a inflamação. Os efeitos secundários possíveis incluem náuseas, vómitos, diarreia e possível diminuição da resistência às infeções. Pode ser administrada uma combinação de corticosteróides e de imunossupressores, já que alguns estudos sugerem que estes últimos podem aumentar a eficácia dos primeiros.
    • Antibióticos – utilizados para tratar o sobrecrescimento bacteriano no intestino delgado provocado por estenose, fístulas ou cirurgia.
    • Antidiarreicos e medicamentos para reposição de fluidos. As cólicas abdominais e a diarreia são normalmente aliviadas quando a inflamação desaparece, mas pode revelar-se necessária medicação adicional. As pessoas com diarreia devem beber muitos líquidos para evitar a desidratação. Se a diarreia persistir, o médico deve ser imediatamente consultado para um eventual tratamento com fluidos por via intravenosa.
    • Podem ainda ser utilizadas terapias biológicas, que bloqueiam a resposta do organismo à inflamação. Alguns estudos sugerem que as terapias biológicas podem aumentar a eficácia dos medicamentos imunossupressores.

  • Cirurgia

    Cerca de dois terços das pessoas com doença de Crohn necessitarão de cirurgia em algum momento da sua vida. Esta é necessária para aliviar sintomas que não respondem a outras terapias ou para corrigir complicações como obstrução intestinal, perfuração, sangramento, ou abcesso (uma excrescência dolorosa contendo pus, provocada por uma infeção). A cirurgia para remover parte do intestino pode ajudar estes pacientes, mas não elimina a doença. É normalmente necessário proceder a mais do que uma operação, porque a inflamação tende a ressurgir na zona contígua àquela onde o intestino foi removido.
    Dado que a doença ressurge frequentemente após a cirurgia, o doente deve pesar cuidadosamente os respetivos riscos e benefícios, em comparação com outros tratamentos, procurando obter todas as informações possíveis.

  • Suplementos nutricionais

    O médico poderá recomendar a ingestão de suplementos nutricionais, especialmente no caso de crianças cujo crescimento foi afetado pela doença. São por vezes utilizadas fórmulas líquidas especiais de alto teor calórico. Num pequeno número de casos, poderá ser necessário recorrer à alimentação por via intravenosa durante um breve período de tempo. Este procedimento pode ser útil para doentes que necessitam temporariamente de um reforço alimentar e também para aqueles cujos intestinos necessitam de algum repouso ou não conseguem absorver nutrientes suficientes.
    O médico pode prescrever cálcio, vitamina D e outros medicamentos para prevenir ou tratar a osteoporose em pacientes que tomam corticoesteroides. Os suplementos vitamínicos só devem ser tomados por indicação médica.

  • Alimentação, dieta e nutrição?

    Não há nenhuma dieta especial que se tenha mostrado eficaz na prevenção ou tratamento da doença de Crohn, mas é importante que as pessoas que sofrem da doença sigam uma dieta nutritiva e evitem alimentos que agravem os sintomas. A doença está frequentemente associada a uma diminuição do apetite, o que pode afetar a capacidade dos doentes de receberem a dose diária de nutrientes necessária para obterem melhoras. Além disso, a doença está também associada a diarreia e consequente má absorção de nutrientes. Não são os alimentos a causa da doença de Crohn, mas certos alimentos, como cereais, especiarias, álcool e produtos lácteos podem aumentar a diarreia e as cólicas. O médico poderá recomendar um nutricionista para orientação sobre a dieta mais adequada.

  • O tabaco agrava a doença de Crohn?

    Os estudos têm demonstrado que os fumadores afetados pela doença de Crohn podem apresentar um agravamento dos sintomas e mais complicações associadas, tendo necessidade de doses mais elevadas de esteroides e outros medicamentos. São também mais suscetíveis de necessitar de cirurgia. Parar de fumar pode melhorar significativamente a progressão da doença e ajudar a reduzir o risco de complicações e de novos episódios. O médico poderá recomendar uma consulta de cessação tabágica.

  • O stress pode agravar a doença de Crohn?

    Os dados não apontam para o stress como causa da doença de Crohn. No entanto, as pessoas que sofrem da doença sentem, por vezes, um aumento de stress provocado pela convivência com uma doença crónica. Alguns doentes relatam a ocorrência de um episódio da doença quando passam por uma situação ou um acontecimento stressante. Para aqueles que consideram que existe uma correlação entre o nível de stress e o agravamento dos sintomas, o recurso a técnicas de relaxamento, uma alimentação cuidada e sono suficiente podem ajudá-los a sentir-se melhor. O médico poderá recomendar um especialista para ajudar a reduzir o stress.

  • A gravidez pode constituir um risco acrescido?

    As mulheres com a doença de Crohn podem engravidar e ter filhos, mas devem conversar com o seu médico antes de o fazerem. A maior parte das crianças filhas de mulheres com doença de Crohn não são afetadas pela doença.


    A RETER:


  • A doença de Crohn é uma doença que provoca inflamação, ou edema, e irritação de qualquer parte do tubo digestivo, também designado por trato gastrointestinal.
  • A doença de Crohn afeta igualmente homens e mulheres e parece estar presente em algumas famílias.
  • As causas da doença são desconhecidas, mas os investigadores acreditam que ela resulta de uma reação anormal do sistema imunitário.
  • Os sintomas mais comuns da doença de Crohn são a dor abdominal e a diarreia.
  • Um médico pode diagnosticar a doença de Crohn, realizando um exame físico e solicitando diversos exames: análises ao sangue e às fezes, e exames imagiológicos, como a tomografia axial computadorizada (TAC), a sigmoidoscopia flexível e a colonoscopia.
  • A complicação mais comum da doença de Crohn é uma obstrução intestinal provocada pelo espessamento da parede intestinal devido a edema e tecido cicatricial.
  • O tratamento pode incluir medicação, cirurgia, suplementos alimentares ou uma combinação destas opções.
  • Não há nenhuma dieta especial que se tenha mostrado eficaz na prevenção ou tratamento da doença de Crohn, mas é importante que as pessoas que sofrem da doença sigam uma dieta nutritiva e evitem alimentos que agravem os sintomas.
  • Alguns doentes relatam a ocorrência de um episódio da doença quando passam por uma situação ou um acontecimento stressante. O médico poderá recomendar um especialista para ajudar a reduzir o stress.
  • As mulheres com a doença de Crohn podem engravidar e ter filhos, mas devem conversar com o seu médico antes de o fazerem.


Os cálculos biliares (litíase biliar ou pedras na vesícula) são partículas sólidas que se desenvolvem dentro da vesícula biliar. A vesícula biliar é um órgão pequeno, em forma de pera localizado na parte superior do abdómen do lado direito.
A dimensão dos cálculos varia no geral do grão de areia a uma azeitona grande. A vesícula biliar pode desenvolver um único grande de cálculo biliar ou centenas de pedras pequenas. Os cálculos podem causar dores forts no abdómen superior direito quando bloqueiam as vias biliares.

  • O que são as vias biliares?

    O fígado produz a bílis, um líquido que transporta toxinas e resíduos para fora do corpo. Outra função da bílis é ajudar a digerir gorduras e absorver vitaminas. A bílis é constituída principalmente por colesterol, sais biliares (substâncias que ajudam a dissolver o colesterol), e bilirrubina.
    A bilirrubina é um resíduo do metabolismo da hemoglobina.
    As vias biliares são compostas pelo pelos dois canais que drenam a bílis do fígado e confluem num só canal o colédoco. O colédoco despeja a bílis na segunda porção do duodeno. A vesícula está ligada a um curto canal lateral (o canal cístico) que se une ao colédoco e a sua função é armazenar a bílis durante os períodos entre as refeições.

  • O que origina os cálculos biliares?

    Os cálculos biliares são devidos a desequilíbrios na composição da bílis. Excesso de colesterol, excesso de bilirrubina, ou falta de sais biliares suficientes são causas frequentes. Podem também formar-se se a vesícula biliar não esvazia completamente ou com a frequência suficiente.

    Os dois tipos de cálculos biliares são:

    • pedras de colesterol, geralmente de cor verde-amarelada. Mais de 80 por cento de cálculos biliares são de colesterol.
    • pedras de pigmentos, de cor escura, são feitas de bilirrubina.

  • Quem está em risco de ter cálculos biliares?

    Certas pessoas têm um risco mais elevado de desenvolver cálculos biliares:

    • As mulheres são mais propensas a desenvolver cálculos biliares do que os homens. Pensa-se que os estrogénios podem aumentar os níveis de colesterol na bílis e diminuir as contracções da vesícula biliar.
    • Pessoas com mais de 40 anos de idade são mais propensos a desenvolver cálculos biliares do que as pessoas mais jovens.
    • Pessoas com história familiar de cálculos biliares têm um risco mais elevado.




    Outros factores que afectam o risco de uma pessoa desenvolver cálculos biliares de colesterol são :

    • As pessoas obesas, especialmente as mulheres, têm um risco acrescido de ter cálculos biliares. A obesidade aumenta a quantidade de colesterol na bílis.
    • Dietas e cirurgia bariátrica levam a uma perda de peso rápida e aumentam do risco de cálculos biliares. O fígado ao metabolizar as gorduras vai excretar mais colesterol na bílis e o limite de solubilidade dos sais biliares pode ser excedido. Por outro lado o jejum prolongado também diminui marcadamente o esvaziamento da vesícula.
    • Regimes alimentares ricos em calorias e hidratos de carbono refinados, pobres em fibras aumentam o risco de cálculos biliares.
    • As doenças que afectam absorção normal de nutrientes, tais como a doença de Crohn, estão associados com cálculos biliares.
    • A diabetes tipo 2 está geralmente associada à obesidade e aumenta a probabilidade de desenvolver pedras na vesícula.




    Algumas patologias que favorecem a formação de cálculos biliares de pigmento são:

    • Cirrose do fígado
    • Infecções nas vias biliares
    • Anemias hemolíticas – neste caso devido à destruição constante dos glóbulos vermelhos os produtos da degradação da hemoglobina aumentam muito e acabam por precipitar na vesícula.

  • Quais são os sintomas e as complicações da litíase biliar?

    A maioria das pessoas com cálculos biliares não têm quaisquer sintomas.
    Se cálculos biliares bloquearem o canal da vesícula (canal cístico) ou o colédoco vai haver um aumento de pressão na vesícula biliar e colédoco causando dores fortes a chamada cólica biliar . A dor geralmente ocorre à noite, dura de uma a vários horas está situada na parte de cima do abdómen do lado direito e está associada a refeições pesadas. Um sintoma frequente são também náuseas e vómitos.
    Se o calculo passar espontaneamente para o duodeno os sintomas desaparecem. No entanto, se as vias biliares permanecem bloqueadas por mais do que algumas horas, podem ocorrer complicações graves. As complicações mais graves incluem a infecção e a obstrução do canal pancreático com pancreatite. Estas duas complicações são extremamente graves e põe em risco a vida do paciente.
    Sintomas causados por cálculos biliares podem ser semelhantes aos de outras patologias tais como a apendicite, úlceras, pancreatite, e enfarte do miocárdio.

  • Se suspeita que está a ter uma cólica biliar que deve fazer?

    As pessoas que acham que estão uma cólica biliar devem falar com o seu médico de imediato e dirigir-se a um serviço de urgência. Embora a maioria das cólicas biliares resolva espontaneamente é importante um diagnóstico preciso. De uma maneira geral a probabilidade de repetição no futuro é elevada

    Sintomas que sugerem gravidade incluem:

    • dor abdominal que dura mais de cinco horas
    • náuseas e vómitos persistentes
    • febre, mesmo que pouco elevada ou apenas calafrios
    • cor amarelada da pele ou da parte branca dos olhos, chamada icterícia
    • urina cor de chá escuro e fezes claras




    Estes sintomas podem ser sinais de infecção grave, inflamação da vesícula ou obstrução persistente das vias biliares e pâncreas, o internamento hospitalar imediato está aconselhado.

  • Como são diagnosticados os cálculos biliares?

    O médico vai pedir uma ecotomogafia abdominal para diagnosticar cálculos biliares.

    • Ecotomografia abdominal – através de uma pequena sonda que o médico faz deslizar sobre o abdómen, um gerador de ultrassons envia ondas sonoras para o fígado vesícula e pâncreas. As ondas sonoras embatem nos orgãos e os respectivos ecos são analisados por um computador, criando uma imagem no ecrã. Se houver cálculos biliares presentes, serão detectados com precisão.






    Em circunstâncias particulares pode ser importante recorrer a outros exames.

    • Tomografia axial computadorizada (TAC) – A TAC é uma técnica não invasiva de raios X que produz imagens tridimensionais do corpo. O paciente fica deitado numa marquesa que desliza através de um grande anel. A TAC permite diagnosticar cálculos biliares mostrar a obstrução da vesícula ou colédoco e avaliar a extensão dos danos provocados no pâncreas. No entanto a precisão em diagnosticar cálculos na vesícula é menor do que a da ecotomografia abdominal.
    • Colangiopancretatografia por ressonância magnética – A CPRM utiliza a ressonância magnética, uma técnica sem radiações, capaz de produzir imagens de secção transversal de partes do corpo. O paciente apenas tem que ficar deitado numa marquesa que se vai deslocando dentro de um grande anel. É injectado contraste no paciente, o que permite uma melhor visualização dos canais do pâncreas, colédoco e vesícula biliar. É particularmente útil para diagnosticar cálculos presentes no colédoco (um local que a ecotomografia abdominal não visualiza bem)
    • Ecoendoscopia – Neste caso, o médico insere um endoscópio flexível através da boca, até ao estômago e duodeno. Na extremidade do endoscópio, existe um gerador de ultra-sons que envia ondas sonoras para o pâncreas. As ondas sonoras embatem no pâncreas, na vesícula biliar, no colédoco e outros órgãos e os respetivos ecos são analisados por um computador, criando uma imagem no ecrã. A vantagem principal desta técnica é a proximidade entre a sonda emissora de ultra-sons e o colédoco (apenas alguns centímetros), o que permite diagnosticar cálculos neste local com muita precisão.
    • Colangiopancreatografia Endoscópica Retrógrada (CPRE) – A CPRE é uma técnica especializada utilizada para visualizar o pâncreas, vesícula biliar e ductos biliares e tratar as complicações da pancreatite, cálculos biliares e estreitamento ou obstrução dos ductos biliares ou canal pancreático. O médico insere um endoscópio flexível até ao duodeno e injecta um contraste nos ductos biliares, vesícula e canal pancreático. Depois, são feitas radiografias em que se podem ver com grande detalhe as anomalias presentes. Para além do diagnóstico, podem ser feitas intervenções terapêuticas, como extracção de cálculos ou colocação de pequenos tubos para drenagem das secreções. A CPRE pode ser um exame extremamente útil, mas está sujeita a complicações (pancreatite grave, infecção, perfuração intestinal e hemorragia), pelo que, após a realização de uma CPRE, há sempre um período de observação até o paciente poder ter alta. A CPRE é usada geralmente quando há uma suspeita muito forte da presença de cálculos no colédoco.




    São também usadas analises de sangue para procurar sinais de infecção, alterações das provas de função hepática ou lesão pancreática.

  • Como são tratados os cálculos biliares?

    Se os cálculos biliares não causam sintomas não está indicado tratamento. Contudo após um primeiro ataque de cólica biliar é estatisticamente muito provável que haja uma repetição. É por esta razão que após o primeiro ataque de cólica biliar está no geral indicada cirurgia para remover a vesícula biliar. Se o paciente não pode ser submetido a uma intervenção cirúrgica existem tratamentos não-cirúrgicos que podem ser usados para dissolver os cálculos biliares de colesterol. Pode também ser utilizada a CPRE para remover pedras alojadas no colédoco nas em pessoas que não podem ser submetidos a cirurgia. A CPRE é também usada para remover pedras no colédoco nos pacientes que estão prestes a fazer uma cirurgia para remoção da vesícula biliar neste caso a intenção é tornar a operação mais segura e mais rápida.

  • Cirurgia

    A intervenção cirúrgica para remover a vesícula biliar, chama-se colecistectomia, é uma das operações mais comuns realizadas nos adultos.
    A vesícula biliar não é um órgão essencial, o que significa que uma pessoa pode viver normalmente sem vesícula. Uma vez removida vesícula biliar, a bílis que sai do fígado através do colédoco vai directamente para o duodeno, em vez de ser armazenada na vesícula biliar.
    Existem essencialmente dois tipos de colecistectomia:

    • Colecistectomia laparoscópica – Na colecistectomia laparoscópica, após anestesia geral, o cirurgião faz 3 pequenas incisões no abdômen (com cerca de 2cm) e insere um laparoscópio (um tubo fino com uma pequena câmara de vídeo na extremidade que envia imagens de alta resolução para um monitor). Através de outras duas pequenas incisões o cirurgião utiliza vários instrumentos para separar cuidadosamente a vesícula biliar do fígado, vias biliares, e outras estruturas. No final a vesícula biliar é extraída através de uma das incisões. A maioria das colecistectomias de hoje em dia são feitas com esta técnica. O tempo de internamento é no geral muito curto com pouco desconforto. A actividade física normal pode ser retomada após um intervalo de tempo relativamente curto.
    • Colecistectomia clássica – Quando a vesícula biliar está muito inflamada, ou se existem cicatrizes de outras operações opta-se geralmente por realizar uma incisão no abdómen com cerca de 25cm através da qual o cirurgião remove a vesícula.
      O internamento é geralmente cerca de 7 a 10 dias. Há geralmente necessidade de mais medicação para o controle da dor. A actividade física no geral pode ser retomada cerca de um mês depois.




    Após a colecistectomia há uma pequena percentagem de pacientes que, por um período relativamente breve, têm fezes moles e dejeções com mais frequência. Isto acontece porque a bílis à medida que é produzida no fígado já não é armazenada na vesícula e é despejada diretamente no duodeno.
    As complicações da cirurgia da vesícula biliar são raras, sendo a mais comum a lesão de vias biliares (em menos de 1 por cento das colecistectomias). Uma ou mais operações adicionais podem ser necessários para reparar os ductos biliares.

  • Tratamentos não cirúrgicos

    São apenas usados quando o paciente tem cálculos de colesterol e não pode ser submetido a uma intervenção cirúrgica. A limitação principal destes tratamentos é que como a vesícula não é removida a possibilidade de haver uma recidiva dos cálculos é grande.

    • Terapêutica com ácido ursodesoxicólico é um medicamento que contêm ácidos biliares que podem dissolver cálculos biliares. É eficaz para pequenas pedras de colesterol. Podem ser necessários meses ou anos de tratamento para dissolver todas as pedras. Ao parar o tratamento a probabilidade de recidiva é alta. Este tratamento é usado com frequência, quando se usam dietas de baixo teor calórico e cirurgia bariatrica em que há uma perda de peso muito brusca, para prevenir a formação de cálculos.
    • Litotripsia – Um aparelho gera ondas de choque que passam através do corpo para fragmentar os cálculos. Os pequenos fragmentos passam para o duodeno através do colédoco. Este método pode ser utilizado conjuntamente com o ácido ursodesoxicólico


    A RETER:


  • Os cálculos biliares são partículas sólidas que se desenvolvem e vão agregando dentro da vesícula biliar.
  • Desequilíbrios na concentração das várias substâncias que compõem a bílis podem causar cálculos biliares. Excesso de colesterol, excesso de bilirrubina e insuficiência de sais biliares são causas frequentes.
  • Mulheres, pessoas com mais de 40 anos de idade, e pessoas com uma história familiar de cálculos biliares têm um maior risco de pedras na vesícula.
  • A maioria das pessoas com cálculos biliares não têm sintomas.
  • Se os cálculos bloquearem as vias biliares vai desencadear-se uma cólica biliar com dores na parte alta do abdómen e náuseas.
  • As cólicas biliares ocorrem geralmente a seguir a refeições pesadas, à noite e podem simular outras patologias.
  • Se os cálculos biliares não causarem sintomas, geralmente nenhum tratamento está indicado. Após o primeiro ataque de cólica biliar em geral está recomendado tratamento cirúrgico.
  • O tratamento habitual para cálculos biliares é a cirurgia para remover a vesícula biliar (colecistectomia). Se o paciente não pode ser submetido a cirurgia podem ser usados tratamentos para tentar dissolver os cálculos biliares de colesterol. Se os cálculos estão alojados no colédoco a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) é importante na resolução do problema.
  • A vesícula biliar não é um órgão essencial, o que significa que uma pessoa pode viver normalmente sem vesícula. Após a remoção da vesícula a bílis flui directamente para o duodeno através do colédoco.

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas, podendo ser aguda ou crónica. Qualquer das formas é grave e pode provocar complicações. Em casos graves, podem ocorrer hemorragias, infeções e destruição permanente dos tecidos. Ambas as formas de pancreatite ocorrem com mais frequência nos homens.
  • Quais as funções do pâncreas?


    O pâncreas é uma glândula grande situada atrás do estômago, perto do duodeno (a primeira parte do intestino delgado). O pâncreas fabrica enzimas que são depois despejadas no duodeno e se vão juntar à bílis produzida pelo fígado. São as enzimas produzidas pelo pâncreas e a bílis (que tem uma ação detergente) que permitem a digestão das proteínas, hidratos de carbono e gorduras.
    O pâncreas também produz as hormonas insulina e glucagon, que são libertadas para a corrente sanguínea e ajudam o corpo a regular a glicose (a principal fonte de energia).
    Normalmente, as enzimas digestivas fabricadas pelo pâncreas só são ativadas quando atingem intestino delgado. Quando o pâncreas está inflamado, o controlo das enzimas é perturbado e estas podem atacar e destruir o próprio pâncreas.

  • O que é a pancreatite aguda?

    A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que ocorre de repente e que se resolve geralmente em poucos dias, com tratamento. A pancreatite aguda pode ser uma doença grave que põe em risco a vida. Todos os anos, vários milhares de pessoas são internadas com pancreatite aguda. A causa mais comum da pancreatite aguda é a passagem de cálculos biliares da vesícula pelo colédoco (o canal que liga a vesícula ao duodeno), entupindo o canal pancreático. O consumo excessivo de álcool é também uma causa comum. A pancreatite aguda pode ocorrer numa questão de horas ou dias após o consumo de álcool. Outras causas da pancreatite aguda incluem traumatismo abdominal, medicamentos, infecções, tumores, anomalias genéticas e dos canais do pâncreas.

  • Sintomas

    A pancreatite aguda começa, geralmente, com dor súbita ou gradual no abdómen superior que às vezes se estende para as costas. A dor pode ser leve no início, com agravamento depois da ingestão de alimentos. Mais frequentemente, a dor é grave desde o inicio, podendo tornar-se constante e durar vários dias. Os pacientes geralmente sentem um profundo mal estar e necessitam de assistência médica imediata. Outros sintomas podem incluir:

    • abdómen inchado e doloroso
    • náuseas e vómitos
    • febre
    • taquicardia






    A pancreatite aguda grave pode provocar desidratação profunda e queda da tensão arterial. O coração, os pulmões ou os rins podem falhar e podem ocorrer hemorragias no pâncreas com choque e eventual morte.

  • Diagnóstico

    O médico irá fazer a história clínica e efetuar um exame físico completo. As análises de sangue vão ajudar ao diagnóstico. Durante a pancreatite aguda, o sangue contém, pelo menos, três vezes a quantidade normal de amilase e lipase, duas enzimas digestivas produzidas no pâncreas. Pode haver alterações nos níveis de glucose, cálcio, magnésio, sódio, potássio e bicarbonato. Após a recuperação, estes níveis voltam geralmente ao normal.
    Diagnosticar uma pancreatite aguda é frequentemente difícil, devido à localização profunda do pâncreas. O médico irá provavelmente pedir um ou mais dos seguintes exames:

    • Ecotomografia abdominal – um gerador de ultrassons envia ondas sonoras para o pâncreas, através de um dispositivo portátil que o médico faz deslizar sobre o abdómen. As ondas sonoras embatem no pâncreas, na vesícula biliar, no fígado e noutros órgãos e os respectivos ecos são analisados por um computador, criando uma imagem no ecrã. Se houver cálculos biliares presentes, serão detetados com precisão.
    • Tomografia axial computadorizada (TAC) – A TAC é uma técnica não invasiva de raios X que produz imagens tridimensionais de partes do corpo. O paciente fica deitado numa marquesa que desliza através de um grande anel. A TAC permite diagnosticar cálculos biliares e avaliar a extensão dos danos provocados no pâncreas.
    • Ecoendoscopia – Neste caso, o médico insere um endoscópio flexível através da boca, até ao estômago e duodeno. Na extremidade do endoscópio, existe um gerador de ultrassons que envia ondas sonoras para o pâncreas. As ondas sonoras embatem no pâncreas, na vesícula biliar, no fígado e noutros órgãos e os respetivos ecos são analisados por um computador, criando uma imagem no ecrã. A vantagem principal desta técnica é a proximidade entre a sonda emissora de ultrassons e o pâncreas (apenas alguns centímetros), o que permite obter imagens muito detalhadas.
    • Colangiopancretatografia por ressonância magnética – A CPRM utiliza a ressonância magnética, uma técnica sem radiação capaz de produzir imagens de secção transversal de partes do corpo. O paciente apenas tem que ficar deitado numa marquesa que se vai deslocando dentro de um grande anel. É injetado contraste no paciente, o que permite uma melhor visualização dos canais do pâncreas, colédoco e vesícula biliar.
    • Colangiopancreatografia Endoscópica Retrógrada (CPRE) – A CPRE é uma técnica especializada utilizada para visualizar o pâncreas, vesícula biliar e ductos biliares e tratar as complicações da pancreatite aguda e crónica, cálculos biliares, estreitamento ou obstrução dos ductos biliares ou canal pancreático e pseudoquistos (acumulações de fluido e restos de tecido junto ao pâncreas). O médico insere um endoscópio flexível até ao duodeno e injeta um contraste nos ductos biliares, vesícula e canal pancreático. Depois, são feitas radiografias em que se podem ver com grande detalhe as anomalias presentes. Para além do diagnóstico, podem ser feitas intervenções terapêuticas, como extração de cálculos ou colocação de pequenos tubos para drenagem das secreções. A CPRE pode ser um exame extremamente útil, mas está sujeita a complicações (pancreatite grave, infeção, perfuração intestinal e hemorragia), pelo que, após a realização de uma CPRE, há sempre um período de observação até o paciente poder ter alta.

  • Tratamento

    O tratamento da pancreatite aguda envolve internamento hospitalar para administração de fluidos intravenosos, antibióticos e medicamentos para aliviar a dor. O paciente não pode ingerir alimentos, para que o pâncreas possa descansar. Em caso de vómitos, é feita a introdução de um tubo no estômago, através do nariz, para remover secreções.
    A menos que surjam complicações, a pancreatite aguda resolve-se em poucos dias. Em casos graves, poderá ser necessário proceder, durante várias semanas, a alimentação com um líquido especial administrado por um tubo inserido através do nariz até ao estômago.
    Antes de deixar o hospital, as recomendações são não fumar, não beber bebidas alcoólicas e não ingerir alimentos gordurosos.
    Em alguns casos, a causa da pancreatite é clara, mas noutros casos é necessária a realização de mais exames após a alta.

  • Complicações da Pancreatite Aguda

    Os cálculos biliares que provocam pancreatite aguda requerem a remoção cirúrgica das pedras e da vesícula biliar. Pode ser necessário fazer uma CPRE antes da remoção cirúrgica da vesícula (colecistectomia)
    No caso de ocorrer uma infecção grave, pode ser também necessário recorrer a CPRE ou cirurgia para drenar a área infectada. O recurso a cirurgia é, por vezes, igualmente inevitável se houver grandes zonas de destruição do pâncreas ou hemorragias.
    Os pseudoquistos são acumulações de fluidos e restos de tecido do pâncreas que necessitam de drenagem, quer por CPRE quer por Ecoendoscopia.
    Em casos excepcionalmente graves, o paciente pode desenvolver insuficiência renal aguda e falência respiratória, sendo necessário o uso de hemodiálise e ventiladores.

  • O que é pancreatite crónica?

    A pancreatite crónica é uma inflamação do pâncreas que não evolui para recuperação, pelo contrário, piora com o tempo e provoca danos permanentes. A pancreatite crónica, tal como a pancreatite aguda, ocorre quando as enzimas digestivas ativadas atacam o pâncreas e tecidos próximos, provocando episódios de dor. A pancreatite crónica ocorre geralmente em pessoas com idades entre os 30 e 40 anos.
    A causa mais comum da pancreatite crónica é o abuso crónico de álcool. A pancreatite crónica pode ser desencadeada por uma crise aguda que danifica o ducto pancreático. O ducto danificado provoca uma inflamação do pâncreas, que, por sua vez, leva ao desenvolvimento de tecido cicatricial com destruição progressiva do pâncreas e calcificação.

    Outras causas de pancreatite crónica são:

    • doenças hereditárias do pâncreas
    • fibrose quística
    • níveis elevados de cálcio no sangue
    • níveis muito elevados de gorduras e triglicéridos no sangue
    • alguns medicamentos
    • certas doenças autoimunes
    • num número substancial de casos, não se consegue encontrar uma causa










    A pancreatite hereditária ocorre em indivíduos com menos de 30 anos de idade e pode levar alguns anos a ser diagnosticada. Há múltiplos episódios de dor abdominal e diarreia com duração de vários dias e, ao longo dos anos, há uma evolução para pancreatite crónica. O diagnóstico de pancreatite hereditária é mais provável se o paciente tiver dois ou mais membros da família com pancreatite.

  • Sintomas


    A maioria das pessoas com pancreatite tem dor crónica na zona superior do abdómen, embora algumas pessoas não sintam dor nenhuma.
    A dor pode irradiar para as costas e geralmente piora com a ingestão de alimentos, podendo tornar-se constante e incapacitante. Em alguns casos, a dor abdominal acaba por desaparecer com a destruição progressiva do pâncreas. Outros sintomas incluem:

    • náuseas
    • vómitos
    • perda de peso
    • diarreia
    • fezes gordurosas








    Frequentemente, as pessoas com pancreatite crónica perdem peso, mesmo quando os seus hábitos alimentares e de apetite são normais. A perda de peso acontece, porque o pâncreas não segrega enzimas pancreáticas suficientes para digerir os alimentos.

  • Diagnóstico

    A pancreatite crónica é muitas vezes confundida com pancreatite aguda, porque os sintomas são semelhantes. Tal como acontece com a pancreatite aguda, o médico tem que fazer a história clínica e proceder a um exame físico completo. As análises de sangue (amilase e lipase) podem ajudar no diagnóstico, mas por vezes os níveis estão normais. Igualmente importante é a medição da glucose no sangue e a pesquisa de gorduras nas fezes.
    No diagnóstico, utilizam-se com frequência a radiografia simples do abdómen, a ecotomografia abdominal, a ecoendoscopia, a TAC abdominal e a ressonância magnética

  • Tratamento

    O tratamento da pancreatite crónica pode necessitar de hospitalização para controlo da dor, hidratação e apoio nutricional.
    Após a alta, o médico poderá receitar a ingestão de enzimas pancreáticas a todas as refeições. O regime alimentar adequado é uma dieta nutritiva com baixo teor em gorduras e refeições pequenas assim bem como a ingestão de muitos líquidos e a restrição de bebidas com cafeína. É importante a colaboração de um nutricionista.
    As pessoas com pancreatite crónica não devem fumar nem consumir bebidas alcoólicas, já que isso acelera a progressão da doença.
    Tal como acontece com a pancreatite aguda, a CPRE é utilizada para identificar e tratar as complicações associadas a pancreatite crónica, tais como cálculos biliares, pseudoquistos e estreitamento ou obstrução dos canais. Poderá ser necessário recorrer a cirurgia para remover parte do pâncreas.
    Em casos de dor forte e persistente, a cirurgia ou outros procedimentos são por vezes recomendados para bloquear os nervos da zona abdominal que causam a dor.
    Na pancreatite crónica, quando o tecido pancreático é destruído, as células produtoras de insulina do pâncreas, chamadas células beta, são também destruídas, o que pode provocar diabetes. Nesses casos,
    poderá ser necessária a administração de insulina ou outros medicamentos para manter a glicose no sangue a níveis normais.


    A RETER:


  • A pancreatite é uma inflamação do pâncreas causada por enzimas digestivas ativadas que vão danificando o tecido pancreático.
  • A pancreatite tem duas formas: aguda e crónica.
  • As causas mais comuns de pancreatite são os cálculos biliares e o consumo excessivo de álcool.
  • Por vezes, e apesar de múltiplos exames, não é possível descobrir a causa da pancreatite.
  • Os sintomas de pancreatite aguda incluem dor abdominal, náuseas, vómitos, febre e taquicardia.
  • O tratamento para a pancreatite aguda inclui a administração de fluidos endovenosos, antibióticos e medicamentos para a dor. O recurso à cirurgia é por vezes necessário para tratar eventuais complicações.
  • A pancreatite aguda pode tornar-se crónica se ocorrer um processo de destruição contínuo com desenvolvimento de fibrose e calcificação.
  • Os sintomas da pancreatite crónica incluem dor abdominal, náuseas, vómitos, perda de peso, diarreia e fezes gordurosas.
  • O tratamento para a pancreatite crónica inclui abstenção de álcool e tabaco, regime alimentar específico, enzimas e controlo da dor. Poderá ser necessário recorrer a cirurgia para remover parte do pâncreas.

Hemorroidas são veias inchadas e inflamadas à volta do ânus. Também podem existir na parte terminal do reto (a última parte do intestino grosso que conduz ao ânus).
As hemorroidas externas estão localizadas debaixo da pele à volta do ânus. As hemorroidas internas desenvolvem-se na parte final do recto e podem sair para fora através do ânus (prolapso). Na grande maioria dos casos podem espontaneamente retrair-se de volta para dentro do reto.

  • Quais são os sintomas de hemorroidas?

    O sintoma mais comum das hemorroidas internas é sangue vermelho vivo no papel higiénico ou na sanita depois de uma evacuação. As hemorroidas internas que não entram em prolapso não são dolorosas. Quando existe prolapso, este está frequentemente associado a dor, desconforto e prurido anal.
    Podem também formar-se coágulos dentro das hemorroidas externas. Estas hemorroidas com trombos formam um nódulo duro junto ao ânus, podem inchar, sangram com frequência e são muito dolorosas. Quando o coágulo finalmente se dissolve e a hemorroida diminui de volume, a pele extra torna-se redundante, podendo ficar cronicamente irritada e causar prurido.
    Um esforço excessivo ao defecar e tentativas exageradas de limpeza agravam a situação.

  • As hemorroidas são comuns?

    Cerca de 75 por cento das pessoas terá hemorroidas em algum momento da sua vida embora sejam mais comuns nos adultos com idades entre 45 e os 65 anos. São também são comuns durante a gravidez.

  • O que provoca as hemorroidas?

    As hemorroidas são provocadas por um inchaço das veias retais ou do ânus. Existem vários fatores que favorecem este processo:

    • obstipação (prisão de ventre) crónica ou diarreia
    • esforço durante a evacuação
    • uma falta de fibras na dieta




    Outra causa das hemorroidas é o enfraquecimento do tecido conjuntivo do recto e ânus que ocorre com o envelhecimento.
    A gravidez também pode provocar hemorroidas, aumentando a pressão no abdómen, o que por sua vez faz dilatar as veias na parte inferior do recto e ânus. Na maioria das vezes desaparecem após o parto.

  • Diagnóstico

    Os sintomas de hemorroidas são semelhantes aos de outros problemas anorrectais tais como como fissuras, abcessos, verrugas e pólipos. A melhor maneira de fazer o diagnóstico correto é examinar o ânus e reto.
    O exame inclui geralmente um toque retal e pode também envolver uma anuscopia (um tubo curto com uma fonte de luz)
    Sempre que haja perdas de sangue pelo recto é importante que sejam feitos por um médico uma avaliação completa e um diagnóstico, uma vez que a hemorragia pode ser um sintoma de outras doenças digestivas, incluindo cancro do cólon.

    Sobretudo acima dos 40 anos de idade são importantes os exames adicionais:

    • Colonoscopia: um tubo flexível com luz chamado colonoscópio é inserido através do ânus e do reto até ao intestino delgado. O exame é geralmente feito com sedação.
    • Sigmoidoscopia: este procedimento é semelhante à colonoscopia, mas o intestino não é visualizado na sua totalidade. Por essa razão, tem vindo a ser progressivamente abandonado.

  • Como se tratam as hemorroidas?

    Simples alterações na dieta e no estilo de vida alteram e aliviam os sintomas de hemorroidas. Uma dieta rica em fibras pode tornar as fezes mais macias, reduzindo a pressão sobre as hemorroidas causadas por esforço.
    As fibras são substâncias que se encontram nas plantas. O corpo humano não consegue digeri-las, mas elas ajudam a melhorar a digestão e a evitar a obstipação. As frutas, os legumes e os cereais integrais são boas fontes de fibras alimentares..
    Existem também diversos suplementos de fibras.
    Outras alterações que podem ajudar a aliviar os sintomas de hemorroidas incluem:

    • ingestão de mais água
    • exercício moderado e regular




    Há diversos medicamentos de venda livre sob a forma de cremes ou supositórios que aliviam a dor e o prurido anal.
    Estes tratamentos só devem ser utilizados durante um curto período de tempo, uma vez que a sua utilização continuada pode danificar a pele.

  • Tratamento Médico

    Se os tratamentos de primeira linha não aliviarem os sintomas, poderão ser necessários outros tratamentos. Estes são geralmente realizados por médicos proctologistas em regime ambulatório em consultórios médicos ou hospitais. Destinam-se ao tratamento das hemorroidas internas que apresentam prolapso. Os mais frequentes são:

    • Laqueação por elásticos. O médico coloca umas faixas de borracha especiais em torno da base da hemorroida, que impedem a circulação sanguínea e provocam a necrose da hemorroida.
    • Escleroterapia. O médico injeta uma solução química dentro da hemorroida que provoca a sua retração.
    • Coagulação por infravermelhos. O médico utiliza um aplicador que transmite uma radiação intensa de infra vermelhos à hemorroida, induzindo a sua retração.

  • Tratamento cirúrgico

    As hemorroidas externas de grande volume ou as hemorroidas internas que não respondem a outros tratamentos têm que ser removidas cirurgicamente.


    A RETER:


  • As hemorroidas são veias inchadas e inflamadas em volta do ânus ou na parte final o reto inferior.
  • As hemorroidas não são perigosas e os sintomas geralmente desaparecem ao fim de alguns dias.
  • Após um episódio de hemorragia pelo reto é importante a avaliação completa e um diagnóstico por um médico, porque existem outras doenças graves com o mesmo sintoma.
  • Simples alterações no regime alimentar dieta e no estilo de vida, são na maioria das vezes, são eficazes no alívio dos sintomas de hemorroidas.
  • Se as medidas básicas não forem eficazes em caso de hemorroidas internas, existe uma vasta gama de tratamentos em regime ambulatório relativamente simples. As hemorroidas externas de grande volume necessitam de intervenção cirúrgica.

Os divertículos ocorrem no cólon, a parte do intestino grosso onde são armazenados os resíduos resultantes da digestão dos alimentos. São pequenas bolsas que se formam na parede do cólon devido às contrações excessivas da musculatura da parte final do intestino (diverticulose). Os divertículos podem ficar inflamados uma situação que se designa por diverticulite.

  • Quais são as causas da diverticulose?

    Não há certezas sobre as causas da doença, mas, de um modo geral, considera-se que uma dieta pobre em fibras alimentares é o principal agente. As fibras encontram-se em muitas frutas e legumes e constituem a parte dos alimentos que o organismo não consegue digerir. As fibras permanecem durante algum tempo no cólon e absorvem água, facilitando os movimentos do intestino. As dietas pobres em fibras podem resultar em prisão de ventre, que ocorre quando as fezes se tornam duras e difíceis de eliminar. A prisão de ventre provoca uma tensão excessiva nos músculos da parede do cólon, podendo conduzir à formação de divertículos. Se fezes ou bactérias ficarem presas nestas bolsas, pode ocorrer uma diverticulite.

  • Quais são os sintomas causados pelos divertículos?

    A maioria das pessoas que sofrem desta doença não tem grandes problemas, mas em alguns casos podem ocorrer sintomas de maior gravidade. Os sintomas variam, consoante se trata de só de diverticulose ou se há já uma diverticulite.
    Diverticulose – Muitas pessoas não têm sintomas, mas algumas podem sofrer de cólicas, gases e prisão de ventre. Noutros casos podem ainda ocorrer hemorragias pode verificar-se a presença de sangue vermelho no reto (parte final do cólon que se liga ao ânus). O sangramento retal é geralmente indolor, mas pode ser perigoso, pelo que deve consultar imediatamente um médico.
    Diverticulite – As pessoas que sofrem de diverticulite podem ter sintomas muito diversos. Sentem frequentemente dores constantes na parte inferior do abdómen, mas outros sintomas incluem febre, enjoos, vómitos ou alterações dos hábitos intestinais e hemorragias Se houver rompimento de um divertículo com perfuração trata-se de uma situação muito grave pois ocasiona peritonite deve procurar imediatamente um médico.

    • infeções graves com formação de abcessos dentro do abdómen
    • rompimento das artérias dos divertículos com hemorragia pelo reto
    • fístulas, ou seja, ligações ou passagens entre tecidos ou órgãos que normalmente não estão ligados;
    • bloqueios no sistema digestivo;
    • infecções em que o cólon sofre uma rotura, permitindo a saída de fezes para o abdómen causando peritonite.

  • Quem sofre de diverticulos?

    Os divertículos são muito comuns. A partir dos 40 anos, a probabilidade de sofrer da doença aumenta a cada 10 anos. Cerca de metade das pessoas entre os 60 e os 80 anos têm divertículos e acima dos 80 quase todos têm.

  • Como se diagnosticam os divertículos?

    O seu médico pode recorrer a diversos exames para diagnosticar a doença, sendo a Tomografia Axial Computadorizada (TAC) o mais utilizado. Antes do exame, o médico irá injetar-lhe um líquido que permite visualizar melhor os órgãos aos Raios X, ou dar-lhe a beber uma solução para o mesmo efeito.
    Outros exames incluem:

    • Historia clínica – O médico fará diversas perguntas sobre a sua saúde em geral, sobre sintomas, como dores, hábitos intestinais ou dieta, e sobre medicamentos que possa estar a tomar.
    • Análises de sangue – Podem ajudar a detectar infeções.
    • Análises às fezes – Podem revelar hemorragias no trato digestivo.
    • Toque retal – Munido de uma luva lubrificada, o médico inserirá um dedo no seu reto para verificar se há dor, sangramento ou bloqueios.
    • Raios X com clister opaco – O médico irá inserir no intestino grosso, através do ânus, um líquido chamado bário, que permite visualizar eventuais divertículos aos Raios X.
    • Colonoscopia – O médico inserirá através do ânus um pequeno tubo equipado com uma câmara de vídeo, que revelará se existem divertículos.

  • Qual é o tratamento dos divertículos?

    O tratamento dos divertículos depende da gravidade do problema e varia consoante se trata de diverticulose ou diverticulite. A maioria das pessoas melhora com alterações à dieta. Se sofrer de sangramento retal, o seu médico terá de determinar qual a parte do cólon que está a sangrar, podendo então recorrer a medicamentos para parar o sangramento ou decidir operar para remover a parte afetada.
    Tratamento da diverticulose
    A ingestão de alimentos ricos em fibras pode ajudar a aliviar os sintomas. Por vezes, um medicamento que modere as contrações do colon também ajuda.
    Tratamento da diverticulite
    O médico vai receitar um antibiótico e recomendar uma dieta líquida. A maioria das pessoas melhora com este tratamento, mas em alguns casos poderá ser necessário recorrer a cirurgia ou outros tratamentos.

    • Cirurgia – Situações graves de diverticulite têm de ser tratadas cirurgicamente. O cirurgião limpa o abdómen dos danos provocados pela infeção e remove divertículos ou fístulas que possam sangrar.
    • Resseção do cólon – Se sofrer de crises recorrentes de diverticulite, o seu médico poderá sugerir a remoção da parte do cólon onde se localizam os divertículos, com eventual união das secções saudáveis. A remoção dos divertículos poderá evitar futuras infeções.
    • Cirurgia de emergência – Outros problemas graves podem tornar necessário efetuar uma cirurgia de emergência para limpar a infeção e remover parte do cólon. Posteriormente, uma segunda cirurgia junta as secções saudáveis. O cólon fica separado durante um breve período entre as cirurgias, dado que nem sempre é segura a união das duas partes durante a primeira operação. É assim necessário proceder a uma colostomia temporária entre as duas cirurgias. A colostomia consiste numa abertura (estoma) feita no abdómen que liga a parte final do cólon a um saco para recolha de fezes.

  • O que fazer para prevenir os divertículos?

    Uma dieta rica em fibras ajuda a reduzir os sintomas e problemas relacionados com os divertículos. Fale com o seu médico sobre as melhores opções alimentares para o seu caso e a maneira mais simples de proceder a alterações na sua dieta. Saiba o que deve comer e como consumir uma maior quantidade de alimentos ricos em fibras, como os seguintes:

    • Fruta crua: maçãs, pêssegos, peras e tangerinas
    • Legumes: brócolos, abóbora, cenoura e couves de Bruxelas
    • Vegetais ricos em amido: batata, feijão
    • Cereais: pão integral, arroz integral, farelo de cereais, aveia



    A RETER:


  • Os divertículos são mais comuns à medida que envelhecemos.
  • Uma dieta pobre em fibras é a causa mais provável da doença.
  • O tratamento mais comum passa por uma dieta rica em fibras e pela administração de reguladores da motilidade do cólon.
  • Adicione cereais integrais, frutas ricas em fibras e vegetais à sua dieta.
  • Consulte o seu médico se tiver sintomas como febre, arrepios, náuseas, vómitos, dores abdominais, sangramento retal ou alterações nos hábitos intestinais.

Bridas (também conhecidas por adesões internas) são faixas de tecido cicatricial que se podem formar entre os tecidos e órgãos. Normalmente, os tecidos e órgãos internos têm superfícies escorregadias para evitar que fiquem colados quando o corpo se move. As bridas fazem com que os tecidos e órgãos da cavidade abdominal fiquem juntos e percam a mobilidade.

  • O que é cavidade abdominal?

    A cavidade abdominal é a zona interna do corpo entre o peito e os quadris que contém a parte inferior do esófago, o estômago, o intestino delgado e o intestino grosso.
    O esófago conduz a comida e os líquidos da boca para o estômago. Este despeja lentamente os alimentos já semi-digeridos no duodeno e intestino delgado.
    Depois de absorvidos os nutrientes o restos dos alimentos passam depois para o intestino grosso.
    As bridas podem torcer ou puxar os intestinos delgado e grosso para fora do lugar, criando curvas muito apertadas que podem provocar uma obstrução intestinal. A obstrução intestinal resulta do bloqueio parcial ou total da passagem de alimentos ou fezes através dos intestinos.

  • Qual a causa das bridas?

    A cirurgia abdominal é a causa mais frequente das bridas.
    Essas causas incluem:

    • cortes envolvendo órgãos internos
    • manipulação de órgãos internos
    • remoção de parte dos órgãos
    • contacto de tecidos internos com materiais estranhos, tais como gaze, luvas e linhas cirúrgicas;
    • sangue ou coágulos de sangue que não foram lavados durante a cirurgia




    As bridas podem também resultar de uma inflamação não relacionada com cirurgia, incluindo:

    • ruptura do apendice
    • radioterapia
    • infecções ginecológicas
    • outras infecções




    Mais raramente, as bridas podem formar-se sem causa aparente.

  • As bridas são frequentes?

    Dos pacientes que se submetem a cirurgia abdominal, 93 por cento desenvolvem bridas no abdómen inferior e na pélvis. As operações ginecológicas envolvem um risco ainda maior de ocorrência de bridas. As bridas podem aumentar de tamanho e tornar-se mais apertadas com o tempo, provocando por vezes problemas anos após a cirurgia.

  • Quais são os sintomas de bridas?

    Na maioria dos casos, as bridas não causam sintomas. Quando existem sintomas o mais comum é a dor abdominal crónica.

  • Quais são as complicações de bridas?

    As bridas podem provocar oclusão intestinal e infertilidade feminina, impedindo os ovos fertilizados de alcançar o útero (onde ocorre o desenvolvimento fetal). As mulheres com bridas em torno das trompas de Falópio têm também uma maior probabilidade de gravidez ectópica (um óvulo fertilizado que cresce fora do útero). As bridas no interior do útero podem resultar em abortos espontâneos antes das 20 semanas.

  • Se tiver sintomas sugestivos de oclusão procure ajuda médica com urgência

    A oclusão intestinal coloca o paciente em risco de vida, requer atenção médica imediata e muitas vezes cirurgia. Os sintomas de obstrução intestinal incluem:

    • forte dor abdominal ou cólicas;
    • náuseas;
    • vómitos;
    • distensão abdominal;
    • ruídos intestinais intensos;
    • incapacidade de evacuar ou expelir gases;
    • obstipação (menos de três evacuações por semana, podendo as evacuações ser dolorosas).




    Se tiver estes sintomas, deve procurar ajuda médica imediatamente.

  • Como são diagnosticadas as bridas e a oclusão intestinal?


    As bridas não conseguem ser detectadas por através de técnicas de imagem como raios X ou ecografias. Na maior parte dos casos, são encontradas durante uma cirurgia ao abdómen. No entanto, o raios X ao abdómen em pé, o clister opaco e a tomografia axial computadorizada (TAC) podem diagnosticar obstruções intestinais.

  • Como são tratadas as bridas e a oclusão intestinal?

    As bridas que não provocam sintomas geralmente não requerem tratamento. A cirurgia é a única maneira de tratar adesões que causam dor, oclusão intestinal ou problemas de fertilidade. No entanto, uma nova intervenção cirúrgica,acarreta o risco de formação de novas bridas. Deve falar com o seu médico sobre a melhor maneira de tratar as suas bridas.
    As oclusões intestinais requerem geralmente cirurgia imediata para eliminar o bloqueio. A maioria das sub-oclusões (ou oclusões intestinais parciais) podem ser tratadas sem cirurgia, requerendo no entanto internamento, administração de fluidos por via endovenosa, aspiração do estômago através de um tubo nasogástrico e um período de jejum para ajudar o intestino a restabelecer o trânsito intestinal.

  • Como evitar as bridas?

    As bridas são difíceis de evitar, mas certas técnicas cirúrgicas podem minimizar as adesões.
    A cirurgia laparoscópica diminui a possibilidade de ocorrência de bridas, uma vez que são feitas várias pequenas incisões no abdómen inferior, em vez de uma grande incisão. O cirurgião insere um laparoscópio (um tubo fino com uma pequena câmara de vídeo) através dessas pequenas incisões. A câmara envia uma imagem ampliada do interior do corpo para um monitor de video. Se a cirurgia laparoscópica não for possível e for necessária uma grande incisão abdominal, no final da cirurgia poderá ser inserido entre os órgãos ou entre os órgãos e a incisão abdominal um material especial (uma espécie de película). Esta película é absorvida pelo organismo em cerca de uma semana e tem por função hidratar os órgãos para ajudar a prevenir as bridas.
    Outras medidas tomadas durante a cirurgia para reduzir a ocorrência de bridas incluem:

    • utilização de luvas sem látex;
    • manuseamento delicado de tecidos e órgãos;
    • redução do tempo de cirurgia;
    • utilização de panos e compressas humedecidos;
    • aplicação ocasional de soro fisiológico.

  • Alimentação, Dieta e Nutrição

    Um paciente com sub-oclusões recidivantes pode aliviar os sintomas com uma dieta líquida ou mole, com baixo teor de fibras e que produza poucos gases. Refeições pequenas e frequentes são também recomendadas.


    A RETER:


  • As bridas são faixas de tecido fibroso que se podem formar entre os tecidos e órgãos, diminuindo a sua mobilidade.
  • A cirurgia abdominal é a causa mais frequente de bridas. Cerca de 93 por cento dos pacientes desenvolvem bridas.
  • Na maioria dos casos, as bridas não causam quaisquer sintomas. Quando existem sintomas, o mais comum é a dor abdominal crónica.
  • A obstrução intestinal total coloca a vida em risco e requer atenção médica imediata e, frequentemente, cirurgia.
  • As bridas não podem ser detectadas através de exames ou técnicas de imagem. Nas situações de oclusão, todavia, o raios x de abdómen em pé e a TAC oferecem um contributo muito válido.
  • A cirurgia é a única maneira de tratar adesões que causam dor, obstrução intestinal ou problemas de fertilidade.


Os FODMAPs (Fermentable Oligo- Di- Mono-saccharides and Polyols) são hidratos de carbono de cadeia curta. Fazem parte de uma dieta saudável normal, mas são mal absorvidos no intestino delgado.
Esta designação foi criada em 2005 por Susan Shepherd e Peter Gibson da Universidade Monash na Austrália.
São substâncias naturais presentes em muitos dos alimentos que comemos no dia a dia.

  • Quais são os alimentos que contêm FODMAPs?


    Com excesso de frutose:

    • Frutas: maçãs, peras, pêssegos , manga, ervilhas, melancia, frutas enlatadas em calda.
      Mel.
    • Adoçantes: frutose, xarope de frutose.
    • Doses grandes de frutose: xarope de concentrado de fruta, grandes porções de frutas, frutos secos, sumos de frutas.

     
    Lactose

    • Leite: vaca, cabra e ovelha.
    • Sorvete.
    • Iogurte (normal, com frutos e magro).
    • Queijos: queijo fresco, requeijão, queijos pouco curados.

     
    Frutans e/ou Galactans

    • Legumes: alcachofras, espargos, beterraba, couves de Bruxelas, brócolos, repolho, erva-doce, alho, alho-porro, quiabos, cebola, ervilhas.
    • Cereais: trigo e centeio quando consumidos em grandes quantidades (por exemplo, pão, massas, cuscuz, biscoitos, bolachas).
    • Leguminosas: grão de bico, lentilhas, feijão vermelho, feijão cozido.
    • Frutas: melancia, maçã, pêssegos, dióspiros.

     
    Polióis

    • Cogumelos, ervilhas.
    • Edulcorantes: sorbitol (420), manitol (421), xilitol (967), maltitol (965), isomalte (953) e outros terminados em “ol”.

  • Como posso substituir os alimentos com muitos FODMAP?


    Substituir os alimentos com excesso de frutose por:

    • Fruta: banana, mirtilo, carambola, toranja, uva, meloa, kiwi, lima, limão, tangerina, laranja, maracujá, papaia, framboesa, melancia, morango.
    • Substitutos do mel: xarope de ácer.
    • Adoçantes: açúcar (sacarose), glicose, stevia.

     
    Substituir os alimentos com lactose:

    • Leite: leite de arroz, aveia ou amêndoa.
    • Queijo: queijos curados incluindo brie e camembert.
    • Iogurte: isento de lactose.
    • Sorbet.
    • Manteiga.

     
    Substituir alimentos com frutanos e galactanos por:

    • Vegetais: rebentos de bambu, bok choy, cenoura, aipo, pimentos, milho, berinjela, feijão verde, alface, cebolinha, abóbora, beterraba, cebolinha (apenas verde), tomate.
    • Substitutos de cebola/alho: óleo com sabor a alho.
    • Cereais: pão e cereais sem glúten e espelta.

     
    Substituir os alimentos com poliois por:

    • Frutas: banana, mirtilo, carambola, durian, grapefruit, uva, melão, kiwi, limão, lima, tangerina, laranja, maracujá, papaia, framboesa, meloa.
    • Adoçantes: açúcar (sacarose), glicose, stevia.

  • Devo preocupar-me com os FODMAPs?

    Se não tem sintomas de síndrome do colón irritável (diarreia intermitente, acumulação de gases e cólicas), não tem que se preocupar com os FODMAPs.

 

    A RETER:


  • Uma dieta com baixo teor em FODMAPs é apenas relevante para as pessoas com o síndrome do colón irritável.


Na última década tem havido um impressionante aumento na popularidade da dieta sem glúten. Neste momento é o hábito alimentar mais na moda nos Estados Unidos e na Europa. De acordo com estatísticas recentes, cerca de 100 milhões de americanos estão a consumir produtos sem glúten.

De acordo com a abordagem da medicina tradicional a dieta sem glúten apenas beneficia indivíduos com doença celíaca (apenas cerca de 1% da população).

No entanto, para além de um fenómeno de moda, existem de facto problemas médicos relacionados com a ingestão de glúten. Recentemente, a sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC), adquiriu uma presença forte na literatura médica (o primeiro caso foi descrito em 1978).
Neste momento há um debate em curso sobre a adequação da dieta sem glúten para as pessoas sem doença celíaca. Embora seja claro que existe um componente de moda na popularidade da dieta sem glúten há também evidência incontestável e crescente que aponta para a SGNC como uma entidade clínica real.

  • O que é o Glúten?

    O glúten é a principal proteína de armazenamento no trigo, cevada e centeio. O trigo é cultura mais amplamente difundida em todo o mundo, com mais de 25.000 variedades. Esta popularidade explica-se pela simplicidade de cultivo em diferentes climas, alto rendimento e bom valor nutricional. Além disso, as propriedades funcionais das proteínas do glúten levaram à sua adição a muitos alimentos e cosméticos.

  • Que doenças estão associadas ao Glúten?

    As doenças relacionadas com glúten são ativadas pela ingestão de cereais (trigo, cevada e centeio) por pessoas com uma predisposição genética e/ou imunológica.
    As duas entidades clínicas bem definidas em relação à ingestão de glúten são: a alergia ao trigo e a doença celíaca. Ambas são mediadas pelo sistema imune adaptativo (https://en.wikipedia.org/wiki/Adaptive_immune_system)
     
    1. Na alergia ao trigo o mecanismo envolve as IgE como em todas as outras alergias.
     
    2. A doença celíaca, por outro lado tem as características de uma doença autoimune.
     
    Além da doença celíaca e da alergia ao trigo, há casos de reações ao glúten que não envolvem nem mecanismos alérgicos nem mecanismos autoimunes.
    Estas reações são geralmente denominadas por sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC) ou simplesmente sensibilidade ao glúten.
    Toda a evidência atual indica que no caso da SGNC é o sistema imune inato que está envolvido.
    (https://en.wikipedia.org/wiki/Innate_immune_system)

  • Quais são os sintomas do SGNC?

    Os sintomas de SGNC geralmente ocorrem dentro de horas ou dias após a ingestão de glúten, e desaparecem com alguma rapidez quando o glúten é eliminado da dieta.
    A SGNC produz uma combinação de sintomas intestinais e extra intestinais.
    Os sintomas intestinais assemelham-se muito ao síndrome do colón irritável com cólicas abdominais, gases, distensão e hábitos intestinais irregulares. Por esta razão, não é fácil distinguir a SGNC do síndrome do colón irritável.
    O diagnóstico diferencial é facilitado nos pacientes que também têm sintomas extraintestinais, tais como dor de cabeça ou enxaqueca, mente enevoada, fadiga crónica, dores articulares e musculares, formigueiros nas extremidades, dormência nas pernas ou braços. Eczema, anemia e depressão também podem fazer parte do quadro bem como problemas autoimunes.

  • Qual é a diferença entre intolerâncias alimentares e sensibilidades alimentares?

    • A intolerância alimentar ocorre quando o corpo não tem um determinado enzima para digerir os nutrientes. Os sintomas gastro intestinais são secundários à fermentação dos açúcares pelas bactérias do colón, levando à produção de gases, distensão abdominal, cólicas e hábitos intestinais irregulares. O exemplo mais comum é a intolerância à lactose.
    • As sensibilidades alimentares são reações mediadas por imunidade a alguns nutrientes envolvendo o trato gastrointestinal. Podem também envolver sintomas extra intestinais como por exemplo urticária e falta de ar. Nem sempre ocorrem com o mesmo padrão. Exemplos comuns incluem reações alérgicas a frutos e mariscos.
      No grupo das sensibilidades podemos também incluir a doença celíaca e a SGNC embora envolvam mecanismos diferentes das alergias habituais.

  • Como fazer o diagnóstico?

    Neste momento, além de alguns testes que apenas são usados em investigação, a SGNC é um diagnóstico de exclusão baseado nos seguintes critérios:
     
    1. É imprescindível excluir a doença celíaca e alergia ao trigo com analises de sangue simples.
     
    2. Os sintomas intestinais e/ou extraintestinais têm que melhorar substancialmente ou desaparecer com uma dieta sem glúten.

  • que tratamentos estão disponíveis?

    Neste momento, o único tratamento disponível consiste em evitar todos os alimentos contendo glúten.

 

    A RETER:


  • SGNC é uma entidade clínica sem duvida real, mas ainda mal definida.
  • Pode causar sintomas no trato gastrointestinal.
  • Pode também causar dores de cabeça, enxaquecas, mente enevoada, fadiga crónica, dores articulares e musculares, sensação de formigueiro das extremidades, dormência na perna ou no braço. Eczema, anemia, depressão e problemas autoimunes (tiroide) estão também associados à SGNC.
  • O diagnóstico não é direto, são necessários analises de sangue e um período de dieta sem glúten.